7 de dez de 2017

Mensagens deixadas no blog.

Imagem de um mural com um papel segurado com um alfinete e escrito RECADO!

Olá pessoal, boa noite passando para deixar mais um pouquinho de mim por aqui.
O texto que vou escrever hoje será referente a duas mensagens deixadas no meu blog, que me tocaram bastante esta semana.
Vamos lá!
Recebo uma mensagem no meu e-mail pois elas vão direto para ele, com um grande questionamento sobre o É o Feminismo, quando leio esta menagem me da uma tristeza enorme uma pessoa pois não se identificou.
Esta pessoa manda eu estudar e ler mais antes de escrever relatando que o feminismo nunca será ligado a igualdade e se tornou algo BIZARRO, E que esta luta esta FALIDA.
Fiquei com pena desta pessoa no momento em que eu vivo a 17 anos em uma cadeira de rodas por atitudes machistas e questões de gênero, com esta pessoa vai dizer para eu estudar e ler mais, se em cinco anos de ativismo eu já tenho vários artigos públicos em livros e  revistas, várias palestras, entrevistas em todos os espaços e um filme que conta minha história de vida.
Estaria eu equivocada este tempo todo em fazer o trabalho que faço em nome das mulheres, estaria eu fazendo algo que não sei e recebendo aplausos por ande passo.
Me desculpe quem precisa ler e escrever mais é você, ou melhor mudar sua atitude referente a luta FEMINISTA onde nós mulheres morremos a cada minuto, temos uma dupla jornada de trabalho, recebemos salários menores, sofremos com a desigualdade que nos marca, nos cala e nos machuca.
Sim seguirei teu conselho de cada vez mais estudar e ler enquanto vítima de violência e ativista tenho um trabalho de luta e resistência pelas mulheres.
   
 Mensagem deixada no blog:

O feminismo NUNCA estará ligado a igualdade ...
O feminismo que você tenta explicar, se define no que não tem nada haver! Bizarro ...
Leia mais e estude ... veja artigos e comentários sem cunho político ou ideológico. Verás que o feminismo é uma luta FALIDA e ultrapassada. 



Depois desta mensagem recebi outra que me fez chorar, me fez pensar neste trabalho e neste blog que já existe à cinco anos e que tem ajudado muitas pessoas que passam por aqui, para ler minhas histórias e acompanhar meu trabalho.
A mensagem deixada por uma mulher vitima de violência pelo seu ex  companheiro que após o termino da relação foi até a casa dela e por ela ser guarda metropolitana tinha em casa duas armas de trabalho, o mesmo pegou uma a tirou cinco vez, mesmo ela baleado ela conseguiu se defender e deu um tiro que o levou a morte.
Esta guerreira esta viva carrega com ela as marcas desta violência e as lembranças daquele dia e só esta viva por ter conseguido se proteger.
Fico eu aqui pensando neste caso e que na maioria das vezes as mulheres morrem vitimas de seu companheiro ou ex. Fatalidade ou destino não sei o que importa que ela pode estar contando esta história e podendo recomeçar sua vida, sei que não está sendo nada fácil, a família, os filhos. suas lembranças, marcas e julgamentos devem estar acompanhando sua existência.
Sei o que é recomeçar do zero, sei o que é ter lembranças e sei o que é carregar as marcas do machismo, que nos mata, nos feri e nos tortura pelo ser MULHER.
Que o seu recomeço possa ser acompanhado de pessoas que você ao seu lado, que você possa seguir sem olhar para trás pois lá nos aprisiona.
Queria poder fazer mais por você mas quem sabe você passe por aqui e possa ler minha mensagem.
Siga em frente por você e suas filhas pois são eles que dão sentido a nossa vida.


26 de nov de 2017

FEMINISMO COM QUEM TÁ CHEGANDO-INCRIÇÕES


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA A FORMAÇÃO FEMINISTA!
O curso "Feminismo com quem tá chegando" será promovido por 15 diferentes coletivos no Brasil em uma parceria inédita com a Universidade Livre Feminista, SOS Corpo e Cunhã.
O GRUPO INCLUSIVASS vai promover o curso em formato semipresencial aqui em Porto Alegre!
São apenas 15 vagas para a formação! acesse o link aqui ou no nosso blog.
Descrição da imagem: divulgação do Curso “Feminismo com quem tá chegando”. Sobre fundo branco, do lado esquerdo, desenho colorido em aquarela de três mulheres mostradas da cintura para cima. Elas estão nuas e têm o braço direito erguido com o punho fechado. Do lado direito o texto: Curso Feminismo com quem tá chegando de janeiro a março de 2018.
Descrição da imagem: Ilustração em aquarela colorida com três mulheres nuas, uma ao lado da outra, com os braços direitos erguidos e punhos cerrados. Na testa, trazem uma marca vermelha com ponto preto. A mulher da esquerda tem cabelos curtos rosa encaracolados, os olhos estão fechados, as bochechas rosadas e a boca aberta como gritando uma palavra de ordem. A do meio tem cabelo azul, liso que desce abaixo dos ombros. Os olhos fechados e a boca também aberta, as bochechas rosadas. No lugar da mama esquerda, uma cicatriz. A mulher da direita tem cabelo amarelo, curto e liso. Os olhos fechados e a boca aberta, as bochechas rosadas. Do lado direito o texto: Curso Feminismo com quem tá chegando de janeiro a março de 2018.

17 de nov de 2017

Audiência Pública: Mulheres com Deficiência e Violência: Acolhimento e Garantia de Direitos Humanos.

Descrição no fim do post. 

Audiência Pública: Mulheres com Deficiência e Violência: Acolhimento e Garantia de Direitos Humanos.
A audiência, proposta pelo Grupo Inclusivass em conjunto com o Deputado Jeferson Fernandes e Comissão de Cidadania e Direitos Humanos AL RS, busca respostas à ausência de políticas públicas de enfrentamento a violência que rompam com a vulnerabilização imposta às mulheres com deficiência. 

Existimos e resistimos!!! #PeloFimDoMachismo #PeloFimDoCapacitismo

A atividade integra a programação dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

Mulheres com Deficiência:
De acordo com o Censo Demográfico 2010, as mulheres com deficiência somam 25.800.681 de pessoas. Ou seja, representam 13,53% da população total do país. Segundo esses dados, enquanto na população total brasileira há 100 mulheres para cada 96 homens, no segmento da pessoa com deficiência, para cada 100 mulheres existem 76,7 homens (IBGE, 2010).
A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que foi ratificada com equivalência de emenda constitucional em 2008, reconhece em seu artigo VI que mulheres e meninas com deficiência estão sujeitas a múltiplas formas de discriminação. Segundo relatórios internacionais – no Brasil não há nenhuma estatística sobre violência contra esse segmento de mulheres – as mulheres com deficiência são vitimadas pela violência de gênero 3 vezes mais do que mulheres sem deficiência.
Mesmo com o número expressivo, ainda não possuimos políticas concretas que criem mecanismos de proteção, encorajamento à denuncia, acesso universal às informações e acesso aos serviços para o rompimento deste ciclo de violência.

Sobre o Grupo Inclusivass:
Neste cenário de invisibilidade, em 2014, após um seminário voltado às políticas públicas para mulheres com deficiência e a constatação da INEXISTÊNCIA de políticas públicas específicas, o Grupo Inclusivass foi criado.
As Inclusivass buscam a fomentação e disseminação do debate sobre as condições de igualdade às mulheres com deficiência no Estado do Rio Grande do Sul e Brasil.

Apoio:
Coletivo Feminino Plural
Comdim Poa
Conselho Estadual Dos Direitos da Pcd
Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre
Fórum de Mulheres de Porto Alegre


#PraTodoMundoVer Descrição do convite:
Sobre fundo branco faixas azul, rosa e branco se intercalam com o texto:
Assembléia das gaúchas e dos gaúchos - A CASA DOS GRANDES DEBATES (2015 - 2019).
Audiência Pública, Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

"MULHERES COM DEFICIÊNCIA E VIOLÊNCIA: ACOLHIMENTO E GARANTIA DE DIREITOS HUMANOS".

Proponentes: Deputado Jeferson Fernandes e Grupo Inclusivass.

Dia 29 de novembro de 2017, quinta-feira às 10 horas.

Sala Adão Pretto no Térreo da Assembleia Legislativa. Praça Marechal Deodoro, 101, Centro Histórico de Porto alegre.

Na parte inferior do convite o logo dos organizadores e apoiadores: Assembleia Legislativa, Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, Grupo Inclusivass, Coletivo Feminino Plural, COEPEDE - Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, COMDEPA - Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre, Fórum de Mulheres e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. 

16 de nov de 2017

MULHERES NEGRAS,MULHERES COM DEFICIÊNCIA E CONSCIÊNCIA NEGRA.

Ilustração de uma mulher negra de perfil e com um turbante enorme na cabeça.

Estamos no mês da consciência negra, totalmente dedicado a manifestações, varias atividades e entre elas ações do movimento de mulheres negras que neste período chamam a atenção para as desigualdades ainda vividas pelas mulheres negras.
Sou uma mulher negra e além de ser uma mulher negra também sou uma mulher com deficiência ai ferrou, sim VOU explicar o porque e trazer a tona minha reflexão sobre isso, sim precisamos falar as coisas e talvez este texto seja o único escrito trazendo esta pauta para reflexão da sociedade.
Resolvi escrever este artigo depois de vivenciar algumas coisas e com elas trazer essa reflexão, no ano passado tive a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro e apresentar o projeto na qual fui coordenadora, estava animada em chegar lá e apresentar o projeto que tinha perspectiva de incluir as mulheres com deficiência nas políticas de enfentamento a violência doméstica e demais políticas.
O encontro reuniu quase 70 mulheres de todo o Brasil e eu estava entre elas, para minha surpresa o encontro tinha quase 70% formado por mulheres negras e muitas palestrantes também, mas ali eu era a única mulher negra e com deficiência e estava entre as 30% que era representada por mim, indígenas e prostitutas.
O que me chamou a atenção neste encontro é que nas falas das mulheres negras eu não era incluída como mulher negra e com deficiência, até porque eu era a única no meio da multidão, foram três de muitas falas a maioria voltada a luta do movimento das mulheres negras, que como sabemos lutam por melhores salários, empregos, oportunidades e viverem sem violência pois são as que mais morrem vitimas da violência de gênero segundo dados do mapa da violência.
Pela primeira vez me senti totalmente sozinha, totalmente invisível e estava ao lado de grandes movimentos do Brasil, no último dia fui abatida por essa indiferença e voltei para casa com isso comigo.

Dai o ponto que quero chamar a atenção para o MOVIMENTO DE MULHERES NEGRAS, sei que muito lutaram para serem reconhecidas e terem seu espaço, mas ao não reconhecerem que as mulheres com deficiência representam todas as mulheres na sua ideologia, deixam de lado as mulheres que vivem em grande vulnerabilidade social, se para uma uma negra sem deficiência que já vive esta desigualdade por conta do gênero e raça imagina para uma mulher com deficiência que carrega com ela as desigualdade de gênero, raça e deficiência.
Ou sofremos 3x mais esta desigualdade pregnada em nossa sociedade, não tendo acesso a escola, trabalho,oportunidades, não temos voz e fala.

E não posso esquecer de falar da violência contra as mulheres negras que correspondem a 58,86% dos casos de violência domésticas, infelizmente nestes dados não temos incluído as mulheres com deficiência que também são vitimas dessa violência.
Trago este alerta ao movimento para que possam sim lembrar de nossa existência e nos inclui em suas lutas, falas e reivindicações esta na hora de olharmos por todas as mulheres e inclui-las em suas lutas.
Porque nós mulheres com deficiência ainda continuamos invisíveis para a sociedade e estado mas também estamos ainda invisíveis para o movimento de mulheres e entre eles o das mulheres negras.
Nos ajudem a sairmos dessa invisibilidade.

SOU MULHER COM DEFICIÊNCIA E NEGRA E SOFRO COM A DESIGUALDADE.
Quando falo,
Falo por mim e por todas as mulheres.

21 de set de 2017

O Feminismo me aproximou de minha mãe.


Foto mina e da minha mãe, ela esta abaixada ao meu lado e sorrimos.


Hoje tenho 36 anos de idade e com minha família construída,  neste momento parei pra pensar em minha mãe e resolvi escrever este texto.

O feminismo trouxe para mim muitos esclarecimento e hoje vejo minha mãe de uma maneira mais critica, humana e compreensível.
Não foi fácil escrever este texto, pois eu iniciei ele em 2015 e não dei continuidade, mas hoje me sinto mais madura para dar continuidade
Minha mãe tem 50 anos de idade, nossa relação é as vezes intensa, as vezes complicada mas marcada por cumplicidade, respeito e admiração como muitas relações entre mãe e filha.
Passei a compreender mais a minha mãe e admira-la embora esta admiração venha calçada de sacrifícios que ela não deveria ter passado por toda esta questão cultural.

Talvez ela nunca leia este texto, mas quem sabe alguém pode ler pra ela ou comentar. É um texto que carrega marcas de um passado e vivências do presente e perspectivas do futuro que podem trazer ruídos e más impressões mas é verdadeira, libertador e muito doloroso.

Sim minha mãe assumiu na sua trajetória o papel que a nós mulheres é intitulado pelo sociedade e toda essa construção cultural do ser Mulher,  mãe, dona de casa, esposa e não teve a oportunidade de estudar como tantas mulheres que se tornam mães precocemente e assumem uma família.

Sim e isso se dá no momento em que volto aos seus 15 anos de idade onde grávida de mim, dormia ainda com seus pais, mas de repente perde a mãe precocemente e se vê sozinha já comigo nos braços, uma criança cuidando de outra, meu genitor vai morar em São Paulo com sua familia e ela prefere ficar, com medo nos coloca em uma situação pior ainda onde fica comigo dentro de uma casa sozinha e começa a vender tempero verde pra me dar o que comer.
Filha casula tem mais 15 irmãos que claro foram criados por minha vó Constância, mas quem deveria dar apoio e auxilia aquela menina tão jovem e mãe são aqueles que viram as costas para ela.

O meses passam de repente é convencida a me arrumar e ir comigo  um  lugar  onde poderiam nos ajudar segundo minha tia, inocente me arruma e vai com aquelas pessoas que nem conhecia,  quando percebe me tiram dos braços e comunicam que eu teria que ficar sobre os cuidados da justiça por causa de uma denuncia de minha tia que mesmo podendo ajudar preferiu me colocar em um orfanato, foram dois anos assim minha mãe todo fim de semana ia me ver mas sofria muito por me ver naquele lugar e a justiça não dar o direito a ela de mãe.
E assim ela seguiu durante dois anos, as visitas aos fins de semana a vontade de estar comigo, ela acompanhando meu crescimento.
Em um bailizinho conhece aquele que mudaria toda nossa história, apaixonados ele não consegue  ver mais minha mãe sofrer mesmo sendo menor também pede para sua mãe me tirar daquele lugar e assim eu voltar para os braços da minha mãe.
Este foi o inicio de uma história como de muitas mulheres que jovem se veem sozinhas e abandonadas no caso da minha mãe foi o destino que  pregou uma peça sem graça com a perda daquela que era seu porto seguro sua mãe, sim meu avo morava junto e em nada era a mesma coisa e ali se repetia a construção do que é ser mulher, sim aquela que cuida dos filhos, casa e marido.
E não é que minha mãe repetia a mesma trajetória que minha vó ao se casar para poder me ter com ela novamente, construiu sua família foram 15 anos ao lado do homem que foi meu pai e é, mas uma relação conturbada e sofrida mesmo com a garra dos dois em ir em busca dos objetivos pois eram 4 bocas para comer.
Mas ela chegou a amar esse homem que assumiu sua primeira filha como fosse sua e cresci em um lar com pouco amor por parte dos dois e rodeado de muita violência física pequena e mais velha em cada briga deles eu que assumia tudo mesmo com minha vó sempre perto pois sempre ficamos com meu pai, assim cresci tão criança e já responsável, minha mãe ao saber que estávamos passando fome sempre voltava para casa sabendo que a alegria em ter ela de volta duraria por pouco tempo e nossa alegria também até a próxima briga deles.
Não quero disser que minha mãe sempre foi santa não de santa ela nada tem e cometia seus erros o que gerava toda infelicidade entre todos nós, mas meu pai errava e muito em bater nela as vezes quase até a morte, lembro que eramos pequenos e pulávamos nele até os vizinhos  se meterem.
Sim cresci em um ambiente de violência mas isso não me fez fria e violência com meu filho muito pelo contrário transmito pra ele tudo que não tive ou que tive pouco, amor e respeito pois odeio violência.
Nossa infância que pouco consigo lembrar, sempre gostei de brincadeiras de ensinar, escrever e as vezes montava uma casinha na arvore que a chata da minha irma sempre queria tudo que eu fazia e eu odiava isso pois ela sempre tirava tudo de mim e claro eu sempre escutava aquela frase tu é mais velha que ela. Eram essas nossas brincadeiras tínhamos poucos brinquedos, roupa era dificil ganhar.
Sim ser a mais a velha é chato pra caramba e eu odiava a ideia de ter que cuidar da casa enquanto meus pais trabalhavam e cuidar dos meus irmãos pois esta é a realidade do ser MULHER, e comigo não foi diferente, sim assumi o papel da minha mãe.
Minha mãe sempre foi muito caprichosa e adorava limpar e arrumar a casa, tirava tudo do lugar e quando meu pai vinha tarde pra casa duro de pinca ou caia ao resbalar no tapete ou trocava  quarto por sala, coisas de mãe e que hoje eu faço o mesmo.
Meu pai tinha uma vida interessante, não perdia tempo com picuinhas de crianças ou com os afazeres de casa e deixava esse papel para a mãe, noites em hospital, noites acordadas e eu tendo que mesmo pequena ir para o hospital para que minha mãe pudesse tomar um banho pois descansar não dava.
Ela que abria não de seus empregos para fazer o seu papel enquanto meu pai seguia sua vida normalmente não abrindo mãe de sua vida.
Entendo minha mãe quando aceitou muitas vezes que meu pai passasse as noites na rua, bebendo, jogando seu futebol e com seus amigos enquanto ela seguia.
Já na adolescência não queria repetir o mesmo erros dos meus pais, sempre gostei de estudar e assim segui nos meus estudos mas carregava comigo muita independência comecei a trabalhar cedo pois queria ter minhas coisas e meu dinheiro.
Muitas vezes tive vontade de fugir de casa pois ver minha mãe sofrendo e apanhando doía e não queria mai estar ali, a paz durava pouco pois quando os dois bebiam pronto a paz virava em inferno.
Fico aqui pensando que toda essa independência desde pequena já era uma posição feminista que me dominava ao querer ser eu.
Hoje consigo entender melhor todo sofrimento de minha mãe e das tantas vezes que saiu de casa e teve que voltar por causa dos filhos, essa mulher carregava com ela dor e um silêncio, tinha que se virar em mil, trabalhar, cuidar de nós, do meu pai e da casa.
Lembro que muitas vezes acordava com meu pai espraguejando minha mãe por que ela não havia lavado suas meias e cuecas, como se a minha mãe tivesse  essa responsabilidade, mas pra quem foi criado por minha vó com tudo nas mãos e isso ela reproduziu para seus netos, claro que meu pai queria uma mulher ao lado dele que nem minha vó.
Dai faço uma reflexão do quanto as coisas são reproduzidas nas gerações e são criações machistas do dia a dia onde o homem é aquele que tem tudo nas mãos e até a sua cueca lavada e passada, mas no caso da minha mãe ela sem querer tinha posições FEMINISTAS mesmo sem saber, sim era uma dona de casa, bela e nem tanto recatada.
Sim as vezes rebelde e decidida mas seria talvez as dificuldade da vida a deixou assim ou era sua personalidade que muitas vezes preferia sair de casa para ter paz e nos deixar por não ter como nos levar, mas esta valentia carregava consigo a determinação de ter que voltar para casa.
 Minha mãe mudou e muito hoje separada a 17 anos é outra mulher, madura e determinada ela precisava se libertar deste casamento que trouxe tanto sofrimento mas acredito que momentos bons pois meus pais eram grandes companheiros em querer crescer juntos.
Hoje dezessete anos passado não permite que homens mandem em sua vida, é livre e assume sua posição sobre o ser mulher.
Tenho orgulho dessa mulher pois com todo o sofrimento que a vida lhe trouxe não perdeu seu brilho e a vontade de viver, dona de uma resiliência, um humor que as vezes acho que continua imatura e moleca mas dona SI.
Entendo minha mãe quando aceitou muitas vezes que meu pai passasse as noites na rua, bebendo, jogando seu futebol e com seus amigos, sim meu pai não dava

O Feminismo mudou minha relação com minha mãe no momento que trouxe para minha vida essa violência sofrida por ela por anos e que no meu caso me deixou em uma cadeira de rodas.
O Feminismo mudou minha relação com minha mãe quando hoje sou mãe e infelizmente passo por muitas coisas que ela passou e que me permitem ser a melhor MÃE do mundo abrindo mão de muitas coisas pois sou mãe por opção e escolha.
O Feminismo mudou minha relação com minha mãe quando hoje somos grandes amigas e cúmplices do ser mãe e filha.
Hoje tenho a certeza que o FEMINISMO não entrou tardiamente na minha vida mas no tempo de poder refletir e poder enxergar a mulher que me colocou no mundo e nunca desistiu de mim, sou grata a mulher que me tornei e hoje posso ve-la de uma maneira clara e sem sombras.

Admiro dia após dia essa grande mulher que se chama VERA.
                                                 
                                            SOU AQUILO QUE VC ME ENSINOU....
                                                    UMA GRANDE MULHER....





28 de ago de 2017

Teoria Crip: Roberto McRuer mescla os estudos Queer com os da deficiência e se atreve a pensar em outro mundo possível


Imagem de várias mulheres e homens com deficiência,


Teoria Crip

[Original por Marcela V. O.]

Tradução Jackeline Susann S. Silva.


Disponível em: http://faptdivers.blogspot.com.es/2008/02/teora-crip.html

Assim como a masculinidade hegemônica e a heterossexualidade, a funcionalidade completa do corpo é uma não-identidade. Esta se forma da norma pela qual não se pode identificar como uma posição específica. Se forma de um ponto de partida ‘natural’ e por um dado feito, desde o qual se formam as outras identidades, e por isso de alguma maneira não chama atenção. O que chama a atenção é o que é uma posição de identidade destacada, é a ‘anormal’, a diferente.

Assim, nascem os temas sobre a homossexualidade, a deficiência e sobre a mulher.

O divergente se problematiza e se politiza, em vez de se questionar a norma que cria estes ‘problemas’. A Teoria Crip (Crip Theory) se centra em como se cria a perfeição do corpo e desveste a sua naturalidade. O ponto de partida é uma análise do binário capacitado/discapacidado (abled/disabled), presumindo que este é não-natural e hierárquico.

McRuer chama de “Critical Disability” a posição de qual é possível questionar a ideia completa de capacidade física e a descreve como uma discapacitação consciente, que não é o mesmo que uma discapacidade; sendo uma identidade, um posicionamento político, que a sociedade pode se questionar. Enquanto que a discapacidade se trata de uma exclusão imposta e não desejada, a discapacitação é uma identificação consciente com a exclusão, um lugar desde qual a normalidade se pode criticar. Esta discapacitação consciente (critica), cuja a trajetória pode traçar-se nos movimentos de libertação dos anos ’60 e 70’, desestabiliza a identidade de capacitado (como uma completa capacidade física).

Segundo a Teoria Crip, a ‘critical disability’ produz uma crise de identidade na norma, através de qual a sociedade aprende a tolerar o divergente até um certo ponto. A identidade normatividade se faz flexível. A identidade flexível é uma ‘vitima’ necessária para manter a dicotomia divergente/capacitado-capacidade reduzida. O aumento da tolerância tem como tarefa manter a posição normativa intacta, garantir a futura existência da norma. Se trata de uma tolerância que sempre exige o submetimento dos divergentes.

Ao que se refere a criação de identidades, a Teoria Crip, utiliza o conceito de ‘performatividade’ de Judith Butler. As identidades dos capacitados se criam quando estes tratam de parecer-se o ideal de indivíduo capacitado fisicamente (‘perfeito’). A sociedade se converte em uma cena onde os cidadãos atuam com suas identidades normativas e normatizadoras. A identidade normativa flexível se converte, por vezes, em ‘performatividade’.

Outro sentido, é a análise crítica da completa capacidade física que oferece a Teoria Crip, é mais difícil que a análise sobre a heterossexualidade e masculinidade hegemônica. Estas duas são secundárias com respeito a capacidade física. Estar em uma situação onde a perfeição física arrisca-se ser questionada, tem como consequência que tanto o sexo como a sexualidade não se podem identificar (uma crítica comum aos estúdios sobre handicap, é que tanto a análise como a teoria veem as pessoas como sem sexo e assexuais).

Outra coisa, é que não é possível falar ‘dos deficientes’. McRuer afirma que ‘crip’ se posiciona em relação a ‘deterioração’ e ‘deficiência’, como ‘queer’ se posiciona em relação a ‘lesbiana’ ou ‘gay’, quer dizer olha com ceticismo diante das categorias institucionalizadas (com claros limites traçados entre elas).

Se a distinção entre capacidade reduzida/discapacidade e capacidade completa não se pode alcançar, é possível para o sujeito e as identidades ir mais além do limite e não desejar-se posicionar como perfeito ou imperfeito. Isto é possível, segundo McRuer, através da impossibilidade de alcançar a perfeita capacidade física; em relação a esta todos de alguma maneira somos submissos. Isto da possibilidade de uma posição relativamente geral que sobretudo os ‘normais’ tolerantes destacam, quer dizer, que “todos somos discapacitados de alguma maneira”, o que implica que todos estamos na mesma situação. Para McRuer, esta ideia é desafiante, já que rompe com a barreira nós-eles, mas também pode ser bastante favorável para os neoliberais, já que é possível reduzir as obrigações.
categorização das pessoas com deficiências é necessária para manter a discriminação que cria a discapacidade [deficiência]. Capacidade reduzida-discapacitação, são duas caras da mesma moeda, esta é uma das ideias básicas da Crip Theory. Uma é a condição para que exista a outra. A categorização é uma ferramenta para criar e manter a exclusão. A Teoria Crip marca a posição/identidade como um possível ponto de partida para questionar a normalidade.


Embora as pessoas com capacidade reduzida compartilhem da exclusão, a identidade consciente está longe de ser consequência disso. Por isso é mais relevante falar em uma capacidade reduzida/discapacidade como duas caras da mesma moeda. A deficiência, os impedimentos para a participação e a igualdade que criam a exclusão podem levar a uma discapacitação consciente. Também pode levar a que o indivíduo acomode suas expectativas e internalize a opressão. Uma discapacitação consciente significa que o indivíduo ‘sai’ com sua nova identidade política.


Crip é uma posição contra do ableismo (discriminação das pessoas com deficiência em favor das pessoas que não são) mas, não é necessariamente uma ideia homogênea sobre a capacidade reduzida/discapacidade como identidade. Portanto, ser Crip é identifica-lo e impor resistência contra o atavismo, assim como ser feminista é se posicionar contra a ordem do poder. Não é necessário ter uma deficiência para ter uma posição Crip, da mesma maneira que não é necessário ser mulher para tomar uma posição feminista. Portanto, crip como posição tem o potencial de ser inclusivo. Ainda que exista o risco de que os capacitados usurpem o ‘crip’ e esvaziem seu potencial radical, diz McRuer.


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Referências


McRuer, Robert : Crip Theory: Cultural Signs of Queerness and Disability. New York University Press, 2006.

Berg, Susanne & Grönvik, Lars: Crip Theory – en preliminär positionering. 2007

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