8 de mai de 2019

Reforma da Previdência e seus impactos para as mulheres com deficiência-Carol Santos


Imagem retangular com fundo lilas.
Em letras maiúsculas na cor preta: Reforma da Previdência x Mulheres com Deficiência 

Vamos falar da Reforma da Previdência e seus impactos para as mulheres com deficiência?

Depois de ler muitos textos que apresentam todos os impactos possíveis para as mulheres, nenhum contemplava as mulheres com deficiência diante dos impactos previstos.

Vamos lá!

 Mulheres com deficiência e a invisibilidade sobre o tema.

O atual presidente recentemente apresentou a PEC da Reforma da Previdência (6/2019) que vai atingir diretamente todas as mulheres com perdas de direitos conquistados com muita luta e resistência dos movimentos de mulheres no Brasil.
Esta proposta já esta sendo votada na Comissão de constituição, justiça e cidadania em Brasilia.
Segundo o IBGE as mulheres são 51% da população e apenas 32% dos benefícios de aposentadoria são concedidos pelo INNS.
A maioria destes benefícios vão para os homens com 67,35% das aposentadorias por tempo de contribuição.
Outro fator é que os salários das mulheres é 30% menor do que o dos homens, o que influencia diretamente no valor da aposentadoria das mulheres.
Ao entendermos estas desigualdades é preciso pensar nas mulheres e homens com deficiência e de que maneira isso vai nos impactar.
Eu enquanto ativista no movimento de mulheres com deficiência ainda luto incansavelmente para atingirmos a igualdade salarial e de oportunidade no mercado de trabalho entre homens e mulheres com deficiência.
É fato que as mais atingidas neste desigualdade salarial e de oportunidade são as mulheres com deficiência, negras e do campo.
Fatores estes atribulados a desigualdade social, racial, étnica e deficiência acabam sendo  impulsores na falta de acesso a estas oportunidades e igualdades.
Enquanto as mulheres negras lutam para driblar as desigualdades de gênero, raça, etnia, equidade entre as mulheres, nos deparamos também com aquelas que segundo dados apresentados apontam que 0,96 da população com deficiência ocupa uma vaga em um emprego formal.
Sendo 0,61% de homens e 0,35 para mulheres com deficiência (RAIS,2017).
Elas também ganham 30% a menos que os homens com deficiência, esta intersecção entre gênero e deficiência impacta aquelas que ainda não são incluídas com as mesmas oportunidades.

Mas que barreiras são estas?

Ao longo da história as pessoas com deficiência tem buscado seu espaço social na sociedade, lutando por direitos, cidadania, políticas públicas, educação, mercado de trabalho, saúde e moradia digna.

A inclusão no  mercado de trabalho e oportunidades ainda é uma barreira que vem sendo acompanhada pelo preconceito na contratação, falta de estruturas de acessibilidade e comunicação.
Mesmo com legislações e lei de cotas as barreiras paralisam a inclusão de mulheres e homens no mercado de trabalho.
A luta das pessoas com deficiência sempre foi levantada pela foz masculina o que sempre distanciou as mulheres com deficiência a terem voz, o que só reafirma o machismo que predomina nestes movimentos onde as excluídas são aquelas que ainda buscam por protagonismo e ainda são invisibilizadas por aqueles que deveriam lutar ao lado.
É importante lembrar que o Brasil é signatário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e incorporá-la em sua Constituição, reconhece que mulheres e meninas com deficiência estão sujeitas a violências e outras discriminações e se compromete a adotar medidas que assegurem nossa proteção.
Em 2015, apos quase 20 anos é sancionada pela atual presidenta a Lei Brasileira de Inclusão que tras na sua construção os direitos das pessoas com deficiência fundamentais para a garantia na educação, saúde, mercado de trabalho, direitos sexuais e reprodutivos, acessibilidade e inclusão de todas as pessoas com deficiência.
Mesmo com uma Convenção e legislação nos deparamos com o descaso deste governo aos nossos direitos e garantias.

Um novo movimento de mulheres surge no Brasil.

 Ao falarmos das mulheres com deficiência surge a partir de 2010 um novo movimento de mulheres com deficiência no Brasil.
Alguns com uma perspectiva feminista trazendo as questões da desigualdade de gênero, capacitismo, violência contra as mulheres com deficiência.
Este movimento surge pela necessidade de incluir as mulheres com deficiência na agenda dos movimentos de pessoas com deficiência e feministas.
Hoje as mulheres com deficiência estão cada vez mais ocupando os espaços de poder e decisão levando esta pauta.
O acesso a políticas públicas ainda é escasso para quase 26 milhões de mulheres com deficiência no Brasil sendo uma das maiores violações de direitos humanos.
Ao longo do tempo a deficiência sempre esteve associada  está a altas taxas de analfabetismo, alimentação inadequada, falta de acesso à água potável, grau de imunidade baixo, doenças (e tratamentos inadequados), condições de trabalho perigosas/insalubres e violências que marcam,mutilam corpos, deixam danos físicos e psicológicos e nos matam diariamente por conta do machismo.
Ao entendermos estas desigualdades podemos refletir sobre os impactos diretos que esta reforma da previdência vai trazer para a vida das mulheres com deficiência.

IMPACTOS E REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Ingressar no mercado de trabalho tem sido um desafio na vida das mulheres com deficiência por conta das desigualdades relacionadas a falta de inclusão na educação e capacitação profissional das mesmas.
São poucas as mulheres com deficiência que conseguem acessar o mercado de trabalho por conta da desigualdade de oportunidade de acesso a educação,  gênero, deficiência e capacitismo.
Segundo dados do IBGE no Brasil há 26 milhões de mulheres com deficiência vivendo  no país com algum tipo de deficiência, aqui no RS, quase 3500 milhões.
Se esta reforma for aprovada ela trara prejuízos e perdas as mulheres com deficiência com a igualdade de idade entre homens e mulheres com deficiência para 35 anos de contribuição, independente do gênero e grau da deficiência.
O que fica claro que com esta igualdade no tempo de contribuição é que temos uma reforma totalmente machista aos direitos de todas as mulheres.
Entenda a proposta desta reforma para mulheres e homens com deficiência referente ao gral da deficiência e contribuição.
Leve- Hoje homens trabalham 33 anos e mulheres 28 anos, com a nova proposta 35 anos de contribuição para mulheres e homens.(as mulheres com deficiência terão que trabalhar sete anos a mais com a nova reforma da previdência)
Moderada- Homens 29 anos e mulheres 24 anos de contribuição, com a nova reforma 25 anos de contribuição homens e mulheres
Grave- homens 25 anos e mulheres 20 anos, com a nova reforma 20 anos de contribuição para ambos.
Ao relacionarmos a aposentadoria por idade, homens 65 anos e mulheres 55 anos de idade, com a nova proposta deixa de existir.
Na pratica mulheres com deficiência leve terão que contribuir 7 anos a mais, as com deficiência grave não serão beneficiadas em nada, enquanto o tempo de contribuição para os homens com deficiência na mesma situação cai para cinco anos.
Igualar o tempo de contribuição para homens e mulheres com deficiência é suprimir os direitos das mulheres com deficiência de se aposentarem cinco anos mais cedo que os homens.
Esta proposta não reconhece as especificidades das mulheres com deficiência, pois estas são as mais desfavorecidas na inclusão do mercado de trabalho, assim como acessar a educação e  qualificação profissional.
Segundo , as mulheres trabalham mais (54,7 horas semanais) que os homens (46,7 horas semanais), 8 h/semana, que somam 73 dias a mais, em um ano, e até os 65 anos, a mulher trabalha 9 anos a mais. A reforma da previdência desconsidera completamente o dia a dia de uma mulher com deficiência que cria seus filhos, estuda e trabalha 44 horas semanais no ambiente de trabalho e tem de continuar sua jornada em casa, diante dos afazeres domésticos, cumprindo, assim, uma dupla ou tripla jornada diariamente.
Os afazeres doméstico ainda é trabalho somente para as mulheres  não sendo reconhecido em nossa sociedade,  muito menos renumerado sofrendo assim uma grande discriminação social.
As mulheres segundo pesquisa do PNAD são as maiores chefes de família e correspondem 30% dos lares chefiados elas.
Muitas ainda vivem na informalidade com baixos salários e mutas precisam abandonar seus empregos quando precisam cuidar de alguém de sua família.
Toda essa sobrecarga que é atribuída as mulheres com deficiência mesmo com maiores expectativas de vida segundo estudos, é sentida ao longo de sua vida.

NÃO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Texto:Carol Santos








16 de abr de 2019

“Um ‘cidadão de bem’ armado me deixou paraplégica e matou meu namorado por ciúmes”

Estou olhando para o lado direito da foto. Do lado esquerdo um banner de divulgação da atividade que participo.

Mais uma matéria para o jornal El País falando que flexibilização do porte de arma e o que isso teve haver com o CIDADÃO DE BEM que armado com arma do pai dele me deixou paraplégica, matou meu namorado e se suicidou.

"Elisandra Carolina dos Santos carrega no corpo e na alma as cicatrizes provocadas por um “cidadão de bem”. Era domingo, 23 de abril de 2000, 8 horas da manhã. Ela, então com 17 anos, dormia com o namorado na casa da família em Viamão, periferia de Porto Alegre, quando foi acordada por alguém batendo na porta. Ao se aproximar para abrir, previu o pior: “Pela silhueta na porta de vidro eu já percebi quem era”, conta. O ex-namorado J. A.*, 15, queria reatar o relacionamento, terminado semanas antes. “Levei ele para o quintal para conversar e falei pra ele começar vida nova e ir embora. Foi aí que ele tirou uma arma da mochila”, diz Elisandra."

Confira:“Um ‘cidadão de bem’ armado me deixou paraplégica e matou meu namorado por ciúmes”

26 de mar de 2019

ELA sempre morou ao lado.

Várias palavras intercalada que definem a violência em português e inglês.

Eu tinha sete anos de idade e me lembro como se fosse hoje, meu pai e minha mãe brigando novamente.
Mas não era apenas uma briga daquelas que ambos alteram a voz, era mais uma briga com agressões verbais, psicológicas e físicas.
Minha mãe mais uma vez era a vítima desta relação marcada por dor e sofrimento.
Ao relatar para ela que estava escrevendo este texto, ela me diz que tudo começou já na primeira semana que meus eles foram morar juntos.
Uma surra de facão sem ter motivo, mas ela achava que pelo fato dele ter me tirado da FEBEM deveria aceitar apanhar.Era como se ela tivesse que ter gratidão pelo que fez por nós. Assim ela seguiu durante anos tendo esta ideia.
Ao ouvir isso, vieram algumas lembranças, como iria esquecer eu era a mais velha dos meus irmãos.
Era eu que ainda criança cuidava dos meus irmãos enquanto meus pais trabalhavam, era eu que limpava a casa, era eu a dona de casa, era eu que ainda ia para a escola o lugar que eu adorava pois lá, eu podia ser criança e não acordar para o mundo real.
Era eu a mulher mais velha a assumir a responsabilidade de ser mulher.
Das tantas lembranças de violência, uma marca mais a minha vida de criança, lembro que meu pai e minha mãe haviam brigado e minha mãe foi embora mais uma vez.
Eu sozinha naquela casa com meus irmãos, olho para o lado e me vejo a responsável por eles e a casa.
Toda vez que isso acontecia, eu sabia que teria que ser a responsável por mais que tivesse a minha vó ali com a gente.
Era se a cada briga deles, eu tivesse que assumir as consequências de mais uma separação, e assim cresci ao lado da violência, tão bruta, deixava marcas na minha mãe e em nós.
Todo fim de semana era um martírio para nós pois eu sabia que vinha as beberagens, meu pai trabalhava sem beber de segunda a quinta-feira. Mas na sexta era o nosso martírio.
Lembro que minha mãe aguentava o máximo até sair de casa e sempre nos deixava, pois, meu pai não a deixava nos levar.
E comigo era sempre complicado pois minha vó tinha minha guarda e ainda era menor, e cresci no meio disso.
Eu cresci vendo esta disputa, ela fica pois eu tenho sua guarda.
Já não nos bastasse toda aquela violência com todos, non ainda tivemos a triste experiência de enfrentar a justiça.
Aquele lugar frio, sem amor onde nos questionavam e perguntavam com quem queríamos ficar.
Lembro cada ida naquele lugar, minha mãe queria que estivéssemos ao lado dela.
Com meu pai passávamos muita fome e ficava na responsabilidade da minha vó ir para a casa dos filhos dela para termos um prato de comida para comer.
Cresci ouvindo um tio meu dizer lá vem aquelas crianças com fome, minha vó tinha vergonha, mas era a única coisa que podia fazer por nós pois muitas vezes meu pai não estava nem aí para nós.
Lembro da minha felicidade e dos meus irmãos quando a mãe voltava pois sabia que estávamos passando fome, era uma felicidade enorme por mais que soubéssemos que seria até a próxima briga.
A lua de mel dos meus pais durava um tempo até tudo começar novamente e nos vermos a minha mãe apanhar mais uma vez, ela nunca apanhou quieta e sempre tentava se defender das agressões que em muitos casos os vizinhos se metiam para salvar a minha mãe da morte.
Naquela época os vizinhos metiam a colher, sim.
Ela sempre morou ao lado da gente, sempre deixou marcas físicas e psicológica em cada um de nós, ela sempre fez parte desta relação que durou longos quinze anos.
Até que um dia minha mãe se cansou de tanto sofrer e resolveu dar um basta, os filhos já estavam maiores, apenas meu irmão casulo ainda era pequeno.
Quando fiquei sabendo, eu estava ao lado daquele que já me violentava psicologicamente e  já dava sinais, mas eu não entendia, achava que era cuidado de quem diz amar. Até porque quem ama, cuida, pensava eu.
Minha mãe deu um basta e eu entrei neste ciclo da violência sem entender, nunca levei um tapa, mas sempre fui torturada psicologicamente por aquele que disse me amar.
Seu “AMOR” me dominava, sufocava, controlava e me vigiava.
Hoje entendo que nunca foi amor o que sentia por mim.
E lá estava ela na minha vida novamente, ela sempre esteve e continua deixando marcas por onde passa.
Uma cadeira de rodas foi o resultado de tudo.Ela esteve morando do meu lado durante longos noves meses, me sufocou, tentou me dominar e controlar.
Cansada dei um basta nesse sofrimento e ela não aceitou o meu não.
Ela nunca aceita o nosso NÃO e podemos pagar por isso.
Após deixar suas marcas no meu corpo e levar aquele que eu queria ao meu lado precisei seguir a vida.
 Meus pais perdidos com o que havia acontecido comigo, tentam  reatar aquela relação perturbada.
Agora eu sendo o motivo de estarem juntos nesta nova fase difícil de minha vida.
Minha mãe tenta ter meu pai ao nosso lado nos ajudando.
Ela acreditava e também se via perdida com o tinha acontecido comigo.
Eu não ia mais andar e usar uma cadeira de rodas, como não iria se desesperar.
Mas......
Um dia antes de irmos de mudança para a casa que era nossa e que ele morava, ele chega bêbedo senta do meu lado, diz que me ama muito e em bom tom me diz:
Tua mãe vai voltar para casa e dessa vez eu a mato, ele sai de novo naturalmente
Eu em choque de ouvir aquilo me questiono como vou deixar minha mãe voltar para cá depois de ouvir isso.
Eu a pouco tinha tido minha vida destruída por um homem para escutar aquilo dele.
Resolvemos sumir do mapa sem aproximação nenhuma mais com ele.
Já com a vida refeita e carregando as marcas que ela deixou na minha vida, certa que jamais passaria por isso novamente.
Ela depois de 10 anos reaparece na delicadeza de um homem, mas em outro texto escrevo sobre.

Foi difícil, entender e aceitar tudo.
Levou um bom tempo, mas pude SAIR......
Me libertei da opressão que ela me causou.
Ela sempre vai morar ao nosso lado e traz seus sinais lentamente e não é uma via de mão dupla pois nos aprisiona e nos domina sem nos dar chance de fugir.
Como fugir se cresci com ela morando ao meu lado a minha vida inteira.
Hoje de uma maneira ou de outra me acompanha dezenove anos, ela marca presença no meu corpo diariamente, me faz lembrar que continua fazendo parte da minha vida.
Ela esta sempre ao meu lado de maneiras diversas.
Ela sempre vai morar ao lado pois enquanto escrevo uma mulher é agredida, estuprada ou morta no Brasil

Ela sempre estará aqui entre nós!

20 de mar de 2019

Construindo novas histórias para meninas e meninos. 4º postagem

Imagem da Mônica e ao lado a frase: Mudar o mundo não é fácil, mas pode ser divertido!
Isntituto Avon, juntos, construindo histórias para meninas e meninos.

Chegamos ao fim das ultimas tirinhas com descrições do projeto Construindo novas histórias para meninas e meninos do Instituto Avon e parceria com a ONU Mulheres.
Para este projeto ter total acessibilidade tive o apoio da empresa AB consultoria em acessibilidade e inclusão.
Nossa próxima parceria será para fazermos a descrição dos personagens da Turma da Mônica e levar as crianças a possibilidade de poder saber como são cada personagem desta turma.


Descrição da tirinha: Sentimentos e emoções

1º Quadrinho:
Monica está sentada com o corpo curvado para frente. Tem expressão de triste e chora. Seu coelho de pelúcia está sentado ao lado.
Cebolinha, passo a passo se aproxima, , com expressão de maldoso e diz: Hê, hê, hê!

2º Quadrinho:
Monica com a mão no rosto chora. Seu coelho de pelúcia está sentado ao seu lado
Cebolinha se aproxima, observa surpreso.

3º Quadrinho:
Monica e Cebolinha estão sentados lado a lado.
Ela, Olha para ele e pergunta: O que foi?
Cebolinha responde: Vou esperar tua tusteza passar pala poder plovocar você!

Descrição da tirinha:Empatia

1º Quadrinho:
Cebolinha chora sentado no chão.
Cascão se aproxima e fala: Cebolinha!O que você está fazendo aqui escondido? Você não devia...

2º Quadrinho:
Cebolinha em lágrimas, sentado com os joelhos próximos, olha para Cascão e diz: Cholar?
Cascão com as mãos no joelho diz: Não!

3º Quadrinho:
Cascão senta ao lado de Cebolinha, põe sua mão esquerda no ombro de Cebolinha e diz: Ficar com vergonha de expressar seus sentimentos! Vamos conversar amigão!

Cebolinha continua chorando.

Descrição da tirinha: Ética

1º Quadrinho:
Mônica caminha na rua.
Cascão vem correndo com uma nota de dinheiro na mão direita. Ele fala para ela: Oi, Mônica! Espera um pouco!

2º Quadrinho:
Mônica para na frente de Cascão.
Cascão diz para Mônica: Você deixou cair este dinheiro no bolso, lá atrás!
Mônica diz: Nossa! Eu nem tinha visto! Obrigada, Cascão!

3º Quadradinho:
Mônica fica parada, encantada com a atitude de Cascão, que acima de sua cabeça há um coração.
Cascão vai embora. Dá Tchau para Mônica e diz: Magina! Ética é muito importante! Eu não desobedeço aos meus valores morais!


Descrição da tirinha:Autonomia

1º Quadrinho
Mônica segura uma bandeira na mão esquerda. Ela vira o rosto para trás e observa Cebolinha que se aproxima.
Cebolinha vai em sua direção com os braços abertos e diz: Mônica!Me disselam que você quelia montar um castelo de caixa de papelão!

2º Quadrinho
Cebolinha ao seu lado, gesticula com a mão esquerda e diz: Como um galoto folte e ploativo, eu vim ajudar você, polque é um tlabalho pesado!
Mônica segura a bandeira com a mão esquerda, e com a mão direita sobre a boca diz: Que fofo!

3º Quadrinho
Cebolinha olha surpreso para o castelo que foi construído com caixas de papelão.
Mônica põe a bandeira no castelo, e com expressão feliz diz: Mas tem horas que parece que você não me conhece.

As narrações acontecem na rua em um lugar gramado.



11 de mar de 2019

Dia 08 de março e minhas ações neste dia.

Foto:Leo Caobelli/Folha Press
Estou na minha cadeira de rodas entre o roupeiro e o sofá.

Dia 08 de março de 2019, conhecida como Dia Internacional da Mulher, uma data marcada por luta e resistência das mulheres na busca constante por seus direitos.
Para que eu e todas as mulheres pudêssemos ter nossos direitos, outras tiveram que anteceder a esta luta que foi marcada por dor, lágrimas e mortes de  varias mulheres.
Nesta busca por igualdade, quantas tiveram que morrer antes de nós para que hoje pudêssemos ter voz.
Quantas ainda estão morrendo porque não tem sua voz ouvida ou estão sendo mortas, ameaçadas por falarem sobre essa desigualdade de gênero.
Neste dia resolvi não estar nas ruas pois ando muito reflexiva ao movimento de mulheres e as mulheres com deficiência.
Tem muita coisa que precisa ser mudada e os movimentos ouvirem a voz das mulheres com deficiência, não sou hipócrita de estar ao lado das companheiras se elas durante o ano todo se quer lembram de nossa existência em suas falas.
Silenciei minha atuação na rua e dei voz a minha luta e trabalho através de entrevistas e matérias ao longos destes meses do ano que se inicia.
Minha voz tenho certeza que neste dia foi bem ouvida por ontem deixei um pouco de mim.
Enquanto ativista feminista pelos direitos das mulheres com deficiência continuarei a resto do ano levando nossa voz por eu passar.
Deixo o link que cada participação minha neste 08 de março que teve de tudo, entre eles felicitações e parabéns a mulher que você é.
Desconstruir é preciso quando se tem um filho homem que vive em uma sociedade dominada pela desigualdade entre mulheres e homens.

Matéria da Folha de São Paulo:Sobreviventes relatam histórico de abusos em relacionamento

PodCast desta matéria no programa Café da ManhãOs números de feminicídio somente no mês de janeiro.

Revista Donna:Dia da Mulher: qual é o verdadeiro significado da data para elas

Jornal do Almoço de Porto Alegre:Esporte, arte e literatura são usados para empoderar mulheres no RS

Lançamento do Projeto "Conhecimento é Poder" - Leitura de livros do Acervo Feminista Enid Backes, do Coletivo Feminino Plural, com sede em Porto Alegre (RS):Conhecimento é Poder.







11 de fev de 2019

LESÃO MEDULAR e a falta de informação na vida de uma pessoa após o trauma.

Ilustração de como é a medula e com um trauma.

Este ano eu completo 19 anos sem andar, após sofrer uma  lesão medular por arma de fogo na altura da T2 e T1.
Esta lesão atingiu as vértebras do tórax que é formada por 11 vértebras sendo a maior da coluna vertebral, minha lesão medular atingiu os membros inferiores e do tronco.
Esta lesão causou perda da sensibilidade abaixo dos mamilos, no meu caso depois de alguns anos eu adquiri sensibilidade na altura das costela que antes não tinha.
Lesão esta muito alta e que trás várias limitações no corpo e no nosso dia a dia, mas quando tudo aconteceu como já narrado por aqui, eu não sabia de nada do que sei hoje, apenas que não voltaria mais andar.
A falta de informação foi fator de muitos episódios horríveis na minha vida, somente depois de dois anos pude entender tudo que tinha acontecido comigo e aprender a viver sobre rodas.
Esta semana fui no posto de saúde e chegando lá vi um rapaz cadeirante esperando na entrada, eu parei quase ao lado dele e fiquei também esperando.
A enfermeira se aproximou de nós e falou para ele, que ele teria que ter uma cadeira motorizada, e que seria ótimo para ele.
Na hora ele disse que não e que tinha os braços bem fortes para empurrar sua cadeira, coisa de homem, talvez, mas me meti no assunto e questionei o por que eu estava usando uma cadeira motorizada.
Relatei ter empurrado uma cadeira manual por quinze longos anos da minha vida e que isso foi fator para que eu começasse a desenvolver outras complicações pelo fato de usar uma cadeira manual e fazer tanta força.
Disse ter tido sorte de ganhar aquela cadeira pois minha lesão não me contempla para ganhar uma cadeira motorizada pelo SUS.
Fui conversando com ele e com sua esposa, explicando algumas coisas que eu sabia, perguntei se ele sabia a altura da lesão medular, se conhecia o Hospital Sarah Kubitschek, se fazia fisioterapia ou praticava esporte..
Diante de tantas perguntas, foram vindo as respostas de uma pessoa que ficou paraplégica e sem informação e conhecimento nenhum da sua realidade, até um ano e oito meses ele andava e hoje esta sobre uma cadeira de rodas.
Confesso que fiquei chocada com a falta de informação e conhecimento sobre sua condição física atual, uma escara gravíssima  com cirurgia recente, três cadeiras de rodas quebradas e nenhum conhecimento para ter uma qualidade de vida melhor.
Na mesma hora fui explicando algumas coisas importantes pra ele, orientando a fazer algum exercício além de empurrar a cadeira.
Deixo aqui que as lesões em mulheres e homens podem ser as mesmas mas as alterações de como o corpo vai responder após um trauma depende de cada corpo, temos especifidades diferentes.
Sua esposa preocupada só me dizia anota aqui neste papal estas coisas para eu pesquisar.
O tempo para nós foi pouco eu sei, mas acredito ter contribuído bastante para que ele possa ter uma vida com menos barreiras sociais e atitudinais.
Eu vim para casa pensativa e preocupada ao mesmo tempo, como pode depois de dezenove anos as pessoas ainda não terem um atendimento humanizado que nos oriente sobre nossa condição física, o quanto isso atrapalha qualquer possibilidade deste rapaz se fizer uma fisioterapia quem sabe andar, ter cuidado com seu corpo em relação as escaras e tantas outras coisas de uma pessoa cadeirante.
Nossa vida é alterada do dia para noite seja pelo motivo que for e mesmo assim não temos profissionais qualificados a nos orientar para facilitar o nosso próprio entendimento, o quanto nós mulheres e homens com deficiência somos ainda invisibilizados por esta sociedade,.
Essa invisibilidade causa danos sociais, psicológicos e físicos, mas quem esta preocupado com isso, é apenas mais uma pessoa a entrar para estatistificas de pessoa com deficiência no Brasil, diga-se de passagem mais de 45 milhões a viverem esse silenciamento.
Me questionei por horas pois hoje temos uma lei( Lei Brasileira de Inclusão ou LBI) que nos garante tantas coisas, tantos direitos, mas  na realidade ainda somos a tal minoria que ninguém olha e quando olha, o olhar é  de pena ou discriminação.
Essa sociedade tão capacitista que nos inferioriza é a mesma que nos nega o direito de acesso e informação.
Aqui escrevendo estas palavras fico ao mesmo tempo me questionando sobre o que posso fazer e como fazer pois o barulho que já faço não esta sendo o suficiente para acabar com a desigualdade entre as próprias pessoas, que agem como se fossemos os diferentes, mas sabemos que na realidade somos tão iguais na existência de ser e existir.
Que nada nos subestime pois enquanto eu estiver neste mundo dos desiguais farei barulho por mim e por todas e todos.
Só peço, me da licença que eu quero e vou passar!

Deixo um vídeo que explica o que é lesão medular.





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