8 de out de 2018

Falta de Acessibilidade nas urnas é REALIDADE na vida de mulheres e homens com deficiência.

Foto divulgada na sua página. Patty segura seu titulo de eleitora, ao seu lado uma menina e ao fundo a escola do local de votação.

Ontem, domingo 7 de outubro foi o dia de mulheres e homens com deficiência irem as urnas exercer a nossa cidadania e DEMOCRACIA nas urnas e eleger, governador, deputadas(os) estaduais e federais, presidente e senadoras(os),
Somos quase 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil e acredito ter sido um desafio chegar aos locais de votação com autonomia e acessibilidade.
Nós últimos anos vemos o Tribunal Superior Eleitoral fazer as suas campanhas falando das pessoas com deficiência e a eleição para tornar possível uma votação acessível para todas e todos com locais acessíveis, mas e na pratica funcional:
Eu sai de casa na mesma situação de sempre andando na contra mão com a minha família, ao chegar na escola onde voto que nem rampa de acesso tem na frente, o único acesso baixo pois para acessar a escola esta localizada na entrada dos professores que eu utilizo para ir  posto de saúde também, mas com o tempo o asfalto esta cedendo e criando um enorme buraco. O que para mim foi complicado poder acessar a escola e votar, esta realidade não é só minha mas de todas as pessoas, entra elas mulheres com deficiência que necessitam destes acessos e não tem.
Mas mesmos com esta barreira eu fui lá e exerci meu direito de cidadã e mulher de votar nas minhas e meus representantes.
As gaúchas e gaúchos tiverem dificuldade para votar, ou tiveram que ser carregados por não ter acesso aos locais.
Ontem um caso me chamou a atenção de foi da Patricia Lorete administradora da página Janela da Patty do Rio de Janeiro que ao ter o local de votação trocado se viu no local de troca sem nenhuma acessibilidade de votar. O local anterior nunca teve problemas para votar. Patty se negou a ser carregado e não teve como votar.
Confira no sua página seu desabafo:
https://www.facebook.com/janeladapatty/photos/a.718940038315947/971182143091734/?type=3&theater

Nós mulheres com deficiência representamos o maior eleitorado entre mulheres e homens com deficiência e tivemos ontem este direito NEGADO.
Até quando, hein?

DEMOCRACIA e CIDADANIA para quem, AFINAL?

Desenho de uma pessoa tendo seus olhos, boca e ouvidos tapados por mãos.

Foi difícil acordar hoje, depois de ontem acompanhando passo a passo as apurações das votações e a cada minuto eu e o Hélio ficávamos atentos.
Momento de preocupação e ansiedade a cada minuto e uma certeza que ainda há muito a se fazer neste segundo turmo.
Eu enquanto mulher com deficiência e vitima de tentativa de feminicidio ao acompanhar todas as propostas do candidato oponente fico preocupada pois as Politicas Públicas para as Mulheres em seu plano de governo é inexistente, sem falar em sua proposta de reformular o Estatuto do Desarmamento e armar a população, sendo o Brasil o país que ocupa o 5º lugar no Racing da violência contra as mulheres. Armar quem afinal se não os homens, estes mesmos que tiram a vida de mulheres diariamente por atitudes MACHISTAS.
Preciso me preocupar quando um deputado diz que uma das suas propostas é retirar das escolas a Ideologia de Gênero impondo a Escola Sem Partido, ou seja, estamos falando que não poderemos ensinar para as crianças a compreender a expressão de suas identidades, propor conceitos e teorias sobre sua existência e construir um mundo para todos e todas com respeito. Esta proposta me preocupa e muito pois temos um filho homem e sempre dizemos que ele vais ser o que ele quiser e não o que queremos que ele seja, ensinaremos ele a conviver com a diversidade de pessoas com respeito.
Não posso esquecer que o mesmo votou contra a questão de ideologia de gênero na Lei Brasileira de Inclusão no inciso VI do § 4 do art. 18, que diz:

§ 4 As ações e os serviços de saúde pública destinados à pessoa com deficiência devem assegurar: VI - respeito à especificidade e à identidade de gênero e orientação sexual da pessoa com deficiência;

Gente isto é grave se não somos nós mulheres e homens que sofremos diariamente com o Capacitismo que esta relacionado a gênero, deficiência e raça. é preciso garantir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e homens, e vetar este direito é abrir espaço para dar continuidade o preconceito e discriminações voltados as pessoas com deficiência.
Não esquecer de dizer que não fazemos parte do plano de governo e se quer somos citados. ATENÇÃO, você que vai ao segundo turno.

A semana que se passou foi bem difícil para mim, pois ver mulheres próximas a mim dizer que iriam votar nele, confesso me deixou triste quando eu tenho conhecimento sobre seu plano de governo em relação á nós mulheres, a ideia lógica é que tudo vai mudar se ele for presidente, mas digo enquanto militante pelos direitos de todas as mulheres, iremos retroceder mais uma vez na garantia de nossos direitos conquistados pelo movimento de mulheres, sim são estas mulheres que hoje nos garantiram o direito ao voto, direito a ter liberdade de expressão e mesmo assim ainda não atingimos a tão sonhada igualdade de gênero.
Votar em alguém que diz, que nós mulheres devemos ganhar menos que os homens e por ai vai pois não preciso me prolongar, estamos assumindo a ignorância politica- que homens e mulheres pois a política não faz parte de nosso existência enquanto pessoas politizadas.
A tão sonhada DEMOCRACIA conquistada a duras penas matando mulheres e homens na ditadura vem nos assombrando com este plano de governo e a população apoio isto, se em pleno seculo XXI tivermos mais uma vez a ditadura instaurada em nosso pais, saibam eu aqui não poderei mais me manisfestar e se o fizer poderei ser MORTA por expressar a minha opinião.
Para finalizar digo para você MULHER que ler este artigo, pare e pense, e melhor ainda leia e entenda o plano de governo deste  candidato e caso queira conversar comigo sobre isto estarei aqui.

Deixo aqui suas propostas de GOVERNO e reflitam sobre ela.

EDUCAÇÃO E SAÚDE
  • Não admitir ideologia de gênero nas escolas. “Nós precisamos de um presidente que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo ideologia de gênero, impondo a Escola Sem Partido". Defende educação "sem doutrinação e sexualização precoce".
  • Incluir no currículo escolar as disciplinas educação moral e cívica (EMC) e a organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.
  • Propor a diminuição do percentual de vagas para cotas raciais. Defende cota social.
  • Ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Em dois anos, ter um colégio militar em cada capital. Fazer o maior colégio militar do país em São Paulo, no Campo de Marte.
  • Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que “ajuda a combater o marxismo".
  • Criar um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os dados do atendimento.
  • Não admitir ideologia de gênero nas escolas. “Nós precisamos de um presidente que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo ideologia de gênero, impondo a Escola Sem Partido". Defende educação "sem doutrinação e sexualização precoce".
  • Incluir no currículo escolar as disciplinas educação moral e cívica (EMC) e a organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.
  • Propor a diminuição do percentual de vagas para cotas raciais. Defende cota social.
  • Ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Em dois anos, ter um colégio militar em cada capital. Fazer o maior colégio militar do país em São Paulo, no Campo de Marte.
  • Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que “ajuda a combater o marxismo".
  • Criar um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os dados do atendimento.
     SEGURANÇA

  • Redirecionar a política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência.
  • Reformular o Estatuto do Desarmamento. Defende o direito a posse e porte de arma de fogo por todos.
  • Defende mudança no código penal para estabelecer a legítima defesa de fato: "você atirando em alguém dentro da sua casa ou defendendo sua vida ou patrimônio no campo ou na cidade, você responde, mas não tem punição".
  • Reduzir a maioridade penal para 16 anos.
  • Acabar com a progressão de penas e as saídas temporárias.
  • Defende o fim das audiências de custódia.
  • Apoiar penas duras para crimes de estupro, incluindo castração química voluntária em troca da redução da pena.
  • Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.
  • Garantir o excludente de ilicitude para o policial em operação — ou seja, que os policiais não sejam punidos se matarem alguém em confronto.
     POLÍTICAS SOCIAIS E DIREITOS HUMANOS

  • Garantir a cada brasileiro uma renda igual ou superior ao que é atualmente pago pelo Bolsa Família.
  • Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil".
 As Políticas Sociais fundamentais para a população que vive em desigualdade não é uma preocupação para este candidato. Estudante de serviço sociais me preocupo e muito quando o mesmo trata do Estatuto da Criança e Adolescente com uma visão preconceituoso de nossas crianças e adolescente sujeitas de direitos conquistados ao longo dos tempos, lei esse que garante educação, saúde, viver sem violência e proteção do estado.

        ECONOMIA E EMPREGO

  • Garantir a cada brasileiro uma renda igual ou superior ao que é atualmente pago pelo Bolsa Família.
  • Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil".
  • Eliminar o déficit público primário no primeiro ano de governo e convertê-lo em superávit no segundo ano.
  • Introduzir paulatinamente o modelo de capitalização para a Previdência.
  • Criar o Balcão Único, que centralizará todos os procedimentos para abertura e fechamento de empresas.
  • Defende privatizações. No caso da Petrobras, admite a privatização "se não tiver uma solução" a respeito da política de preço dos combustíveis. "Temos que ter um combustível com preço compatível". É contra a privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica.
  • Defende redução de impostos, é contra taxação de grandes fortunas e heranças e contra novas tributações a empresários.
  • Extinguir o Ministério das Cidades e "mandar o dinheiro diretamente para o município".
  • Tornar o Brasil um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio.
    POLÍTICA E CORRUPÇÃO

  • Encaminhar para aprovação do Congresso “As Dez Medidas Contra a Corrupção”, propostas pelo Ministério Público Federal.
  • Cortar ministérios e nomear pelo menos 5 generais como ministros.
  • Fazer com que recursos públicos sejam liberados automaticamente e sem intermediários para os prefeitos e governadores.
    POLÍTICA EXTERNA

  • Sepultar o Foro de São Paulo.
  • Fazer negócio com o mundo todo, sem viés ideológico. Dar prioridade a relações comerciais com nações como Israel, não com a Venezuela.
  • Não vai tirar o Brasil da ONU, conforme chegou a declarar. "É uma reunião de comunistas, de gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul", afirmou. Em seguida, disse que cometeu um falho e que não se referia à ONU, mas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que fez recomendação favorável à candidatura de Lula.
  • Revogar a lei de imigração e fazer campo de refugiados, para lidar com a migração de venezuelanos para o Brasil.
  • Pretende mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, assim como fez Donald Trump. Pretende fechar a Embaixada da Autoridade Palestina no Brasil.
  • Reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias. Constituir novos acordos bilaterais internacionais.
  • Defende que o Brasil deixe o Acordo de Paris sobre o clima — assim como fizeram os Estados Unidos de Donald Trump.
  • Fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o que colocaria "um fim na indústria das multas, bem como leva harmonia ao campo". O ministro seria indicado "pelas entidades dos produtores".
Tentem não vomitar até o final das propostas pois eu me segurei para não fazer isto.

LUTAREI E RESISTIREI ATÉ O FIM POR MIM, POR NÓS E PELO MEU FILHO.

SOU MULHER, MULHER COM DEFICIÊNCIA E NEGRA, entendeu?

DEMOCRACIA E CIDADANIA PARA QUEM, AFINAL? Se mulheres e homens com deficiência não fazem parte do seu plano de governo.

19 de set de 2018

Violência contra Mulheres com Deficiência - Documento Acessível.


Retângulo com fundo rosa e o simbolo da pessoas com deficiência.


Autoria deste relatório: The International Network of Women with Disabilities (“rede internacional de mulheres com deficiência”)
ARQUIVOS ‘BARBARA FAYE WAXMAN FIDUCCIA’ SOBRE MULHERES E MENINAS COM DEFICIÊNCIA Centro para Estudos de Políticas sobre Mulheres

Março de 2011 Tradução: Romeu Kazumi Sassaki

APRESENTAÇÃO
 A que nos referimos quando falamos sobre violência contra mulheres com deficiência? De que forma ela é diferente da violência contra mulheres em geral? De que forma ela é igual? De que forma ela é diferente da violência contra pessoas com deficiência em geral? Como podemos proteger os direitos das mulheres com deficiência para se livrarem da violência? 
A International Network of Women with Disabilities (INWWD) conduziu uma série de debates sobre a violência contra mulheres com deficiência em 2009-2010 para encontrar respostas a algumas destas questões a partir das perspectivas e experiências das próprias mulheres com deficiência. O documento resultante serviu de base para este Relatório. 
A INWWD foi inaugurada em 2008 e é composta por organizações, grupos e redes de mulheres com deficiência, em âmbitos internacional, regional, nacional ou local, assim como, individualmente, por mulheres com deficiência e outras mulheres 
[1]. A missão da INWWD é a de capacitar mulheres com deficiência para compartilharem seus conhecimentos e experiências, de aumentar sua capacidade de defender seus direitos, de empoderá-las para efetivarem mudança e inclusão positivas em suas comunidades, e de promover seu envolvimento em políticas em todos os níveis – a fim de criarem um mundo mais justo e que reconheça a deficiência, o gênero, a justiça e os direitos humanos. 
O objetivo deste Relatório é o de educar as pessoas a respeito da violência vivenciada por mulheres com deficiência, de fazer recomendações sobre o que pode ser feito por uma variedade de agentes intervenientes [governos nacionais e locais, ONU, provedores de serviços, doadores e  sociedade civil (organizações de mulheres, grupos de direitos humanos, organizações de HIV, organizações de pessoas com deficiência etc.)] para acabar com a violência contra mulheres com deficiência, de motivar agências que lidam com violência contra mulheres para que incluam a prevenção da violência contra mulheres com deficiência em seu trabalho, e de empoderar as mulheres com deficiência para se protegerem contra a violência. 
A violência contra mulheres é um crime e uma violação de direitos que ocorrem repetidas vezes na vida de um grande número de mulheres ao redor do mundo. Embora os tipos de violência praticados possam diferir dependendo da cultura e situação socioeconômica, há aspectos dessa violência que são universais. 
A violência baseada no gênero tem raízes na falta de igualdade entre homens e mulheres, e essa violência ocorre com frequência nos lares, dentro do seio familiar. 
A tolerância da sociedade para com a violência baseada no gênero e a privacidade do ato violento quando praticado dentro de casa fazem com que essa violência se torne invisível ou difícil de ser detectada. Embora mulheres com deficiência sejam vítimas das mesmas formas de violência cometidas contra as demais mulheres, algumas formas de violência contra mulheres com deficiência não têm sido vistas como violência baseada no gênero; isto por causa da intensa discriminação baseada na deficiência. 
Porém, a incidência de maus-tratos e abuso contra mulheres com deficiência excede de longe aquela que atinge mulheres sem deficiência [2]. Além disso, os dados disponíveis, apesar de escassos, também mostram que o índice de violência contra mulheres com deficiência é mais alto do que contra homens com deficiência [3]. 
A violência contra mulheres e meninas com deficiência não só é um subconjunto da violência baseada no gênero, como também é uma categoria intersetorial relacionada com a violência baseada no gênero e na deficiência. A confluência destes dois fatores resulta em um risco extremamente alto contra mulheres com deficiência [4]. 
NATUREZA, TIPO E PREVALÊNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES COM DEFICIÊNCIA 
A Declaração sobre a Eliminação da Violência contra Mulheres (Organização das Nações Unidas, 20/12/1993) define a violência contra mulheres conforme segue: “Artigo 1: O termo "violência contra mulheres" significa qualquer ato de violência baseada no gênero que resulte, ou provavelmente resulte, em dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico para as mulheres, incluindo ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária de liberdade, que ocorram em público ou na vida particular. Artigo 2: A violência contra mulheres será entendida como aquela que abrange os seguintes tipos, sem se limitar a estes: 
(a) Violência física, sexual e psicológica que ocorra na família, incluindo agressão, abuso sexual de meninas no lar, violência relacionada com o dote, estupro cometido pelo marido, mutilação de genitais femininos e outras práticas tradicionais danosas para mulheres, violência cometida por pessoa não-cônjuge e violência relacionada com a exploração; 
 (b) Violência física, sexual e psicológica que ocorra na comunidade geral, incluindo estupro, abuso sexual, assédio sexual e intimidação no trabalho, em instituições educacionais e outros lugares, tráfico de mulheres e prostituição forçada;
 (c) Violência física, sexual e psicológica perpetrada ou deixada ocorrer pelo Estado, onde quer que ela ocorra”. [5] Como foi visto acima na Declaração, a violência baseada no gênero inclui uma ampla gama de atos abusivos, tais como mutilação genital, abuso físico e emocional e exploração econômica. 
De acordo com a Organização Mundial contra a Tortura, o estupro e o abuso sexual, a mutilação genital, o incesto, o aborto forçado, os crimes de honra, a violência relacionada com o dote, os matrimônios forçados, o tráfico humano e a prostituição forçada serão todos considerados formas de tortura [6]. 
Em complemento, estudos mostram que as pessoas com deficiência são vítimas de abuso em uma escala bem maior que as pessoas sem deficiência [7]. Um fator por trás da crescente incidência de violência contra pessoas com deficiência é o estigma associado com a deficiência. 
Pessoas com deficiência são, com frequência, consideradas pela sociedade como sendo “não completamente humanas e de menos valor. (...) A ausência de representações de sua identidade favorece a percepção de que se pode abusar delas sem remorso ou peso na consciência” [8]. 
Algumas sociedades podem acreditar que a deficiência é um castigo divino ou que a deficiência pode ser contagiosa para outras pessoas. 
Outras sociedades podem ver a pessoa com deficiência como um objeto de caridade ou pena, e não como uma pessoa que seja digna de direitos iguais aos de pessoas sem deficiência. O contexto médico é uma fonte singular de abusos praticados contra pessoas com deficiência [9, 10]. 
De acordo com o Relator Especial da ONU sobre tortura e outro tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante, um dos propósitos da definição de tortura é “por razões baseadas na discriminação de qualquer espécie”, observando que os atos de discriminação ou violência grave contra pessoas com deficiência podem mascarados pelas “boas intenções” dos profissionais médicos. Tratamentos médicos de natureza intrusiva e irreversível, forçados ou administrados sem o consentimento livre e informado da pessoa em questão, que tenham o objetivo de corrigir ou aliviar uma deficiência ou que não tenham um propósito terapêutico, podem constituir tortura ou tratamento cruel contra pessoas com deficiência [11]. 
Estes tipos de atos incluem: aborto e esterilização forçados, intervenções psiquiátricas forçadas, internação involuntária em instituições e eletrochoque forçado ou ‘inalterado’ (eletroconvulsoterapia ou ECT) [12]. 
A privação da capacidade legal para uma pessoa tomar decisões facilita tratamentos coercitivos e violência de todos os tipos e pode constituir tortura e tratamento cruel em si mesmo, pois essa privação pode equivaler à negação da plena qualidade de ser pessoa [13]. 
Tal forma profunda de discriminação pode causar sofrimento severo. 
Na palestra intitulada “Livres da Tortura ou do Tratamento/Punição Cruel, Desumano e Degradante”, que ministrou na Organização das Nações 4 Unidas, Kate Millett (autora dos livros “Sexual Politics” e “The Politics of Cruelty”) declarou: “Para pessoas com deficiência, isto significa ‘Livres do tratamento e do confinamento forçados’. Livres do constrangimento e da coerção. O poder opressivo e gigantesco. 
O poder de uma civilização inteira arremessado contra uma pessoa sozinha. Cada telefone, cadeado, guarda, droga, (...) tudo conspira para deixar você completamente sozinha e apavorada... manipulável. Estas são as condições da tortura. Você não sabe o que vem em seguida. Você não sabe quanto tempo isso vai durar. ‘Ninguém saberá nunca’ – uma voz entoa. Ninguém acreditará em você nunca.” [14] 
A INTERSECÇÃO ENTRE DEFICIÊNCIA E VIOLÊNCIA BASEADA NO GÊNERO

Em um estudo feito no Canadá, foram enviados questionários para 245 mulheres com deficiência. Das que responderam, 40 por cento relataram que elas foram vítimas de abuso e 12 por cento disseram que foram estupradas. 
Contudo, menos da metade destes incidentes foi registrada [15]. Outro estudo, conduzido nos EUA sobre a prevalência do abuso contra mulheres com deficiência física, revelou que de 25 a 31 mulheres com deficiência entrevistadas relataram que foram vítimas de abuso de algum tipo (emocional, sexual ou físico) [16]. 
Uma pesquisa sobre ‘violência doméstica e mulheres com deficiência’ também mostrou que mulheres com deficiência foram vítimas de uma ampla gama de violência cometida por atendentes pessoais (abuso emocional, físico e sexual) e por provedores de cuidados de saúde (abuso emocional e sexual), assim como índices mais altos de abuso emocional [17, 18, 19] cometidos por estranhos e membros da família. 
O relato pessoal de uma mulher com espinha bífida, 38 anos de idade, que descreveu o abuso sexual cometido pelo seu marido durante seis anos, reflete uma história de abuso emocional, sexual e físico contra mulheres com deficiência, cometido por alguém da própria família ou por cuidadores: “Meu marido ficava furioso quando eu me recusava a fazer sexo e ele continuava a gritar comigo e me agarrava até eu desistir só para calar a boca dele. 
Ele me controlava não me deixando sair do quarto, jogando ou quebrando minhas bengalas canadenses. Certa vez, ele rasgou meu pijama enquanto eu dormia. 
Cada um de nós procurou aconselhamento individual e agora a situação entre nós está bem melhor porque compreendemos a origem destes problemas” [20]. 
A violência contra mulheres com deficiência é parte da questão maior que envolve a violência contra pessoas com deficiência em geral e inclui a violência cometida com força física, compulsão legal, coerção econômica, intimidação, manipulação psicológica, fraude e desinformação, e na qual a falta de consentimento livre e informado é um indispensável componente analítico. 
A violência pode incluir omissões, tais como negligência deliberada ou falta de respeito, assim como excessos que machucam a integridade do corpo e/ou da mente de uma pessoa. 
Em complemento aos excessos de violência baseada no gênero descritos aqui, existem atos mais sutis que têm origem na discriminação atitudinal contra pessoas com deficiência.  
De fato, mulheres com deficiência são vítimas de tipos de abuso pelos quais as mulheres sem deficiência não passam [21]. 
Além disso, a natureza e os tipos de violência contra mulheres com deficiência, e particularmente contra mulheres com deficiência psicossocial e deficiência intelectual, são provavelmente ignorados em estudos sobre violência contra mulheres. 
Além dos tipos de violência cometidos contra mulheres em geral, os seguintes atos e atitudes podem constituir violência contra mulheres com deficiência: 
a) isolamento forçado, confinamento e ocultação dento da casa da própria família; 

b) aplicação forçada e coercitiva de drogas psicotrópicas ou colocação de drogas na comida; 

c) institucionalização forçada e coercitiva; 

d) contenção e isolamento em instituições; 

e) criação de situações pretextadas para fazer a mulher parecer violenta ou incompetente a fim de justificar sua institucionalização e privação da capacidade legal; 
f) forjamento de rótulos de raiva e autodeclaração das mulheres como um comportamento de “pessoas com transtorno mental e perigosas” (especialmente se a mulher já foi internada em hospitais psiquiátricos); 

g) negação das necessidades e negligência intencional; 

h) retenção de aparelhos de mobilidade, equipamentos de comunicação ou medicação que a mulher toma voluntariamente; 

i) ameaças para negligenciar ou cancelar apoios ou animais assistentes; 

j) colocação de mulheres em desconforto físico ou em situações constrangedoras por longo período de tempo; 

k) ameaças de abandono cometidas por cuidadores; 

l) violações de privacidade; 

m) estupro e abuso sexual cometidos por membro da equipe ou por outro paciente internado em instituições; 

n) restrição, desnudamento e confinamento solitário que replica o trauma do estupro; 

o) aborto forçado; e 

p) esterilização forçada. Alguns tipos de violência contra mulheres com deficiência não são imediatamente percebidos como violência porque são legais e aceitos pela sociedade. 

Isto se apresenta especificamente verdadeiro nas intervenções psiquiátricas e institucionalizações forçadas [22]. 
Estes atos de violência são cometidos sob autoridade legal do Estado em consequência de uma política governamental discriminatória e errada, e não há possibilidade de reparação, o que reforça a mensagem que toda violência transmite à vítima: ‘as mulheres não têm poder’ [23].  
Comparadas aos homens com deficiência, as mulheres com deficiência têm, em geral, menos acesso a cuidados médicos qualificados e à reabilitação; recebem medicamentos, ajudas técnicas e outros tratamentos que sejam menos dispendiosos; e têm menos acesso a apoios sociais, educação superior e oportunidades de emprego. 
Uma consequência desta desigualdade é que as mulheres com deficiência são destituídas de seus direitos à inclusão social [24, 25, 26] e são, com frequência, forçadas a viver em pobreza. 
A falta de sensibilidade, de treinamento adequado dos profissionais de saúde ou de adaptações razoáveis nos cuidados de saúde das mulheres pode produzir resultados graves e fatais, como foi demonstrado pelo relato de uma mulher, de 30 anos de idade, que não podia comunicar-se eficientemente com as enfermeiras durante o trabalho de parto. 
Ela não estava sabendo que iria dar à luz gêmeos e, por isso, parou de fazer força após a saída do primeiro bebê. 
Ela contou [em sinais]: “(A enfermeira) foi muito rude comigo e ela não conhecia a língua de sinais. Ela não conseguiu me dizer para eu continuar fazendo força. 
Ela não me orientou. Meu segundo bebê morreu” [27]. Mulheres com deficiência também relatam ter sido vítimas de abuso por muito tempo e ter sentido como se elas tivessem menos alternativas para fugir do abuso ou para acabar com ele [28]. 
Além de as mulheres com deficiência enfrentarem as mesmas barreiras que qualquer outra mulher enfrenta para fugir da violência ou acabar com ela (tais como: dependência emocional e financeira em relação ao abusador, repugnância à possibilidade de serem estigmatizadas, preocupação por serem mães que criam filho sozinhas, receio de perderem contato com filhos, preocupação quanto a não serem acreditadas ou ajudadas se elas denunciarem abuso, relutância em tomar alguma atitude que possa aumentar a violência), as mulheres com deficiência se defrontam com barreiras adicionais [29]. Por exemplo, a falta de comunicação em formatos acessíveis torna mais difícil para as mulheres com deficiência a obtenção de informações sobre serviços disponíveis e mais difícil a comunicação com abrigos e outros serviços que possam estar disponíveis para intervir no interesse delas. 
Além do mais, profissionais de serviços não possuem habilidades ou recursos – tais como, interpretação em língua de sinais e materiais em braile – para se comunicar com mulheres que tenham deficiência auditiva ou visual. E a inacessibilidade dos transportes é um obstáculo [30, 31, 32] que impede estas mulheres de usar tais serviços e/ou de fugir do abuso. 

FATORES DE RISCO SINGULARES PARA A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES COM DEFICIÊNCIA 

Condições resultantes da deficiência em si, combinadas com atitudes em relação às mulheres em sociedades patriarcais, colocam as mulheres com deficiência em crescente risco de sofrerem violência. 
Muitas mulheres com deficiência se percebem como vítimas de maus-tratos e abuso, enquanto a sociedade ignora este problema. 
Contudo, algumas mulheres com deficiência podem não se perceber como vítimas porque consideram estas situações como habituais e associadas à deficiência.  
Em algumas situações, a sociedade se recusa a reconhecer que certos atos constituem violência e as mulheres atacadas podem não se considerar vítimas. 
Isto se torna particularmente verdadeiro em relação aos atos autorizados no direito da família, tais como intervenções psiquiátricas forçadas com drogas que alteram a mente, eletrochoque ou psicocirurgia, institucionalização, contenção e isolamento, que são praticados principalmente em mulheres com deficiência psicossocial [33, 34]. 
Mulheres com deficiência podem também ter menos acesso às informações sobre como se proteger contra a violência e o estupro. 
Mulheres com deficiência são, com frequência, menos capazes de se defender. 
Perpetradores têm a tendência de acreditar que seus atos não serão descobertos; e mulheres com deficiência, muitas vezes, não são levadas a sério quando denunciam tais atos [35]. 
Mulheres com deficiência, com frequência, são mais dependentes de outras pessoas para obter ajuda, fisicamente e/ou financeiramente [36]. 
Sob tais circunstâncias, as mulheres podem ter receio de denunciar abusos, pois isto poderia resultar em quebra de laços e em perda da ajuda de que possam precisar. 
Em algumas circunstâncias, a falta de formatos acessíveis de comunicação é um empecilho para denunciar maus-tratos. 
Com frequência, as mulheres com deficiência receiam que poderão ser internadas se elas tomarem alguma atitude que possa aumentar a violência ou se elas abandonarem sua casa. 
As mulheres com deficiência correm maiores riscos de exposição à violência ao morarem em instituições, lares e hospitais e têm menos credibilidade ao denunciarem a violência que ocorra dentro de instituições. 
Há pouca possibilidade de autodefesa eficaz quando alguns tipos de violência (tais como institucionalização compulsória, restrição e confinamento, aplicação forçada de drogas e eletrochoque, aborto forçado e esterilização) são permitidos por lei em muitos países [37]. 
Os efeitos duradouros do eletrochoque e algumas drogas psiquiátricas podem também enfraquecer a capacidade da mulher para se defender contra qualquer tipo de violência e abuso. 
Uma mulher com deficiência pode sentir baixa autoestima quando ela não é vista como uma mulher; e vista apenas como uma pessoa com deficiência – ou pior – apenas como sua deficiência. 
A falta de oportunidades para desempenhar o papel tradicional geralmente disponível para mulheres (tais como a maternidade) pode também contribuir para a mulher com deficiência sentir-se desvalorizada pela sociedade. 
Existe uma ameaça adicional à sua credibilidade quando profissionais não reconhecem que mulheres com deficiência têm relacionamento sexual e íntimo ou quando eles não compreendem ou não identificam uma situação como sendo um tipo de abuso – em vez disso, eles desviam o foco para a deficiência da mulher e, com isso, camuflam ou até ignoram o fato de que a mulher sofreu abuso. 
A negação em si dos direitos humanos da mulher resulta na experiência da fraqueza. 
Apesar da severidade da discriminação, da força do preconceito da sociedade contra mulheres com deficiência e da evidência de suas experiências, a violência contra mulheres com deficiência não é reconhecida e diversos fatores contribuem para esta invisibilidade [38]. 
Por exemplo, há falta de uma ampla definição da violência que abranja todos os tipos de violência contra mulheres com deficiência – e alguns tipos de violência contra mulheres com deficiência são permitidos por lei e cometidos sob a autoridade do Estado. 
Profissionais, parentes, amigos e outras pessoas são incapazes de distinguir as circunstâncias que resultam da violência contra mulheres com deficiência por causa da falsa percepção de que as circunstâncias são “inerentes” à deficiência. 
Além disso, pesquisadores e formuladores de políticas raramente identificam situações de, por exemplo, abandono físico ou crueldade psicológica, como sendo maus-tratos. 
E mais, se uma intervenção é feita em uma situação na qual a violência foi perpetrada por um atendente pessoal, por um membro da família ou por um amigo, o incidente é tratado apenas pelo sistema de serviços sociais e é raramente considerado como um crime que deveria ser tratado pela polícia e/ou pelo sistema de justiça criminal. 
Há uma falta de credibilidade atribuída a mulheres que solicitam tecnologia assistiva ou adaptação razoável em comunicação e a mulheres que já foram rotuladas com um diagnóstico de transtorno mental ou de deficiência intelectual. 
Finalmente, é difícil para uma sociedade progressista admitir que uma mulher com deficiência foi objeto de violência ou abuso [39]. 
Quando medidas são tomadas para acabar com a violência contra pessoas com deficiência, mirando “pessoas” com deficiência sem reconhecer que existem questões singulares para “mulheres” com deficiência, isto contribui para um conceito “neutro quanto ao gênero”, que ignora as mulheres com deficiência, torna invisíveis as suas necessidades e reforça o seu isolamento. 
Considerando-se que a violência contra mulheres com deficiência está oculta e é ignorada, esta abordagem “neutra quanto ao gênero” aumenta o seu risco de exposição à violência. 

RECOMENDAÇÕES 

Conforme foi documentado nas seções acima, a violência contra mulheres com deficiência é uma profunda violação de direitos humanos que se manifesta de diversas formas, resultando em significativos danos físicos e emocionais. 
Tal violência pode ser perpetrada intencionalmente assim como através de práticas sistêmicas e sociais consideradas “bem-intencionadas”. 
Um amplo conjunto de agentes intervenientes tem importantes papéis a desempenhar para garantir os direitos das mulheres com deficiência para ficarem livres da violência. Estes agentes intervenientes incluem: governos nacionais e locais, a ONU (em especial, a UN Women e o Fundo da População), provedores de serviços, doadores e sociedade civil (por exemplo, organizações de mulheres, grupos de direitos humanos, organizações de HIV e organizações de pessoas com deficiência). Considerando-se a natureza grave e profunda da violência contra mulheres com deficiência, estes agentes intervenientes podem e devem executar um amplo leque de ações e iniciativas para assegurar que as mulheres com deficiência não se tornem vítimas da violência e para lhes proporcionar meios empoderados, acessíveis e seguros de recorrer em caso de violência.  
Este Relatório oferece recomendações importantes para uma variedade de grupos de agentes intervenientes. 
Algumas das recomendações são transversais para todos os agentes intervenientes referidos acima e deverão ser incorporadas em todas as ações e medidas que objetivem a proteção das mulheres contra o abuso e a violência. Algumas recomendações são principalmente dirigidas a órgãos governamentais e outras têm o objetivo de informar e orientar as ações dos defensores. 
(1) Recomendações Transversais É fundamental para quaisquer agentes intervenientes que eles ofereçam programas e recursos para mulheres com deficiência reconhecendo a heterogeneidade da deficiência e assegurando que mulheres com todos os tipos de experiência em deficiência sejam incluídas em todas as medidas relativas a mulheres com deficiência, e que tais medidas sejam de igual valor para todas as mulheres com deficiência. 
É decisivamente importante que mulheres com deficiência façam parte dos esforços de inclusão iniciados por governos, organizações de direitos humanos, parceiros de desenvolvimento e sociedade civil com o objetivo de avançar a questão do combate à violência contra todas as mulheres. 
Os agentes intervenientes precisam assegurar que as mulheres com deficiência possam acessar fisicamente os programas e serviços, tomando medidas que lhes proporcionem acesso ao transporte ou outro apoio, proporcionem interpretação em língua de sinais e executem quaisquer outras ações que garantam que tais programas não excluam nenhuma mulher com base em sua deficiência (por exemplo, deficiências psicossocial e intelectual). 
Os agentes intervenientes em todos os níveis deverão adotar medidas para combater o estigma, a discriminação e todos os tipos de violência contra mulheres e meninas com deficiência, através de campanhas de conscientização e debates comunitários, por exemplo. 
É importante para todos os agentes intervenientes e provedores de serviço estarem cônscios da necessidade de múltiplos formatos de comunicação e eles deverão disseminar informações em formatos que sejam acessíveis às pessoas com deficiências de aprendizagem e deficiências visual e auditiva (por exemplo, mediante o uso do braile, da língua de sinais e de uma linguagem facilmente compreensível). 
(2) Recomendações para Governos Nacionais e Locais 
• Adotem leis e políticas que reconheçam que todos os atos (por exemplo, violência psiquiátrica e institucionalização forçada) que violam o direito à integridade corporal de mulheres com deficiência são ilegais e são considerados atos de violência. • Incluam ativamente diversas mulheres com deficiência no desenvolvimento e implementação de programas, políticas e protocolos dirigidos para provedores de serviços, responsáveis pela aplicação da lei e outros funcionários que trabalhem junto a mulheres com deficiência.  
(3) Recomendações para Órgãos Governamentais, Doadores Internacionais e Gestores de Desenvolvimento 
• Assegurem que todas as pesquisas, ações e defensorias, relativas à violência contra mulheres com deficiência, incorporem os tipos de violência (por exemplo, violência psiquiátrica) identificados por mulheres com deficiência psicossocial; e investiguem plenamente as experiências delas. 
• Assegurem que as mulheres com deficiência possam preservar sua capacidade legal e sua liberdade. • Em parceria com organizações de pessoas com deficiência e outras entidades baseadas na comunidade, eduquem pais, parceiros, enfermeiros, cuidadores e outros provedores de serviços de saúde, para que eles tratem respeitosamente as mulheres com deficiência e lhes ofereçam atendimento de qualidade quando seus serviços forem solicitados. 
• Treinem comunidades sobre como incluir, e comunicar-se com, pessoas que tenham os mais diversos tipos de deficiência a fim de evitarem o isolamento das mulheres e meninas com deficiência. (4) Recomendações para Autoridades Locais, Comissões e Órgãos de Direitos Humanos, Trabalhadores de Ajuda Humanitária, Agências da ONU, Organizações Não Governamentais e Provedores de Serviços Diretos 
• Criem canais acessíveis para disseminar informações, prestar consultoria e denunciar todos os tipos de violência contra mulheres e meninas com deficiência. 
• Levantem dados sobre o número de mulheres com deficiência que buscam serviços e programas de prevenção da violência contra mulheres e de atendimento às vítimas de tal violência e utilizem esses dados para desenvolver iniciativas mais inclusivas. 
• Investiguem as causas de todos os tipos de violência contra mulheres com deficiência e, especificamente, as necessidades de meninas, mulheres idosas, mulheres solteiras, mulheres indígenas e mulheres que moram em zonas rurais, em relação ao isolamento e à vitimização que contribuem para a prática da violência em tais circunstâncias. • Eduquem mulheres e meninas com deficiência sobre seus direitos humanos. 
• Proporcionem às mulheres e meninas com deficiência informações e aconselhamento sobre questões de saúde sexual e reprodutiva.  
(5) Recomendações para Organizações de Pessoas com Deficiência, Organizações Baseadas na Comunidade e Outros Membros da Sociedade Civil 
• Desenvolvam serviços de defensoria, informação e apoio para mulheres e meninas com deficiência que tenham sobrevivido a qualquer tipo de violência. 
• Treinem mulheres com deficiência para organizarem e gerenciarem eficientemente serviços de apoio, para desenvolverem habilidades e competências de autossuficiência econômica e para usarem tecnologias assistivas que propiciem maior autonomia e independência.

 CONCLUSÃO

 A violência contra mulheres com deficiência compartilha características comuns com a violência contra mulheres em geral, mas possui dimensões singulares também. 
A violência contra mulheres com deficiência é quase sempre um ato que é perpetrado contra o que é percebido como “um ser defeituoso” e é uma demonstração de um tipo socialmente aceitável de poder e controle sobre o corpo e a mente da mulher. 
A falta de respeito pela pessoa das vítimas e a discriminação contra pessoas com base na deficiência são atos de violência em si mesmos e causam intensa frustração nas pessoas que forem alvo dessa discriminação. 
Quando uma discriminação é cometida com base no gênero, a extensão da discriminação e da violência perpetrada contra mulheres com deficiência é inaceitável e intolerável.
 É incumbência de uma sociedade progressista fazer o que estiver em seu poder para acabar com a violência contra mulheres com deficiência. Citações no corpo deste relatório 
[1] Desejando maiores informações sobre a INWWD (rede internacional de mulheres com deficiência), enviar e-mail para: inwwd@yahoo.com. 
[2] Iglesias, M. (1998).
 Violence and women with disability. Vedras, Espanha: AIES; 
The Swedish Research Institute for Disability Policy, HANDU AB. (2007). Men’s violence against women with disabilities. Synskadades Riksforbund, The Report Series, 2007 (1). Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.wwda.org.au/swedishstudy1.pdf 
[3] Department of Justice, Office of Justice Programs. (2009). Crime against people with disabilities, 2007. Bureau of Justice Statistics, Special Report. Extraído, em 10/02/2011, de: http://bjs.ojp.usdoj.gov/content/pub/pdf/capd07.pdf 
[4] Frohmader, C. (1998). Violence against women with disabilities, A report from the National Women with Disabilities and Violence Workshop. Canberra: Women With Disabilities Australia (WWDA). 
[5] United Nations General Assembly. (1993). Declaration on the Elimination of Violence against Women [A/RES/48/104]. Extraído, em 26/03/2011, de: http://www.un.org/documents/ga/res/48/a48r104.htm 
[6] World Organisation Against Torture. (2010). Violence against women. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.omct.org/index.php?id=EQL&lang=eng 12 
[7] European Disability Forum. (1999). Report on violence and discrimination against disabled people [Doc EDF 99/5 EN]. Extraído, em 10/02/2011, de: http://cms.horus.be/files/99909/MediaArchive/EDF%2099-5-iolence%20and%20discr-EN.pdf 
[8] Iglesias, M. (2004). The nature of violence against disabled people. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.nda.ie/cntmgmtnew.nsf/0/BE967D49F3E2CD488025707B004C4016?OpenDocument 
[9] Young, M., Nosek, M., Howland, C., Chanpong, G., & Rintala, D. (1997). Prevalence of abuse of women with physical disabilities. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 78 (Supplement), S34–8. 
[10] Interim report of the Special Rapporteur on the question of torture and other cruel, inhuman or degrading treatment or punishment. (2008). UN Doc. A/63/175. Extraído, em 10/02/2011, de: http://daccessdds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N08/440/75/PDF/N0844075.pdf?OpenElement 
[11] Ibid. 
[12] Ver também: Minkowitz, T. (2007). The UN CRPD and the right to be free from nonconsensual psychiatric interventions. Syracuse Journal of International Law and Commerce, 32(2), 405-428; e documentos e palestras sobre intervenções psiquiátricas forçadas, como torturas, disponíveis em: http://www.chrusp.org/home/resources 
[13] Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights. (2007). Expert seminar on freedom from torture and persons with disabilities. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www2.ohchr.org/english/issues/disability/documents.htm 
[14] Millett, K. (2005). Freedom from torture or cruel, inhuman and degrading treatment or punishment. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.mindfreedom.org/kb/mental-health-global/millettfreedomfrom-torture 
 [15] Ridington, J. (1989). Beating the odds: Violence and women with disabilities. Vancouver, Canada: DisAbled Women's Network (DAWN). 
[16] Young et al., op. cit. 
[17] Ibid. 
[18] Nixon, J. (2009). Domestic violence and women with disabilities: Locating the issue on the periphery of social movements. Disability & Society, 24(1), 77-89. 
[19] Frohmader, 1998, and Strahan, F. (1997). More than just a ramp - A guide for women's refuges to develop Disability Discrimination Act action plans. Preparado para: Women With Disabilities Australia (WWDA), Canberra, conforme citado em: Women With Disabilities Australia. (2004). Valuing South Australia's women: Towards a women's safety strategy for South Australia. Submetido ao South Australian Government's Discussion Paper. Canberra: WWDA. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.wwda.org.au/saviolsub.htm#three 
[20] Young, et al., op. cit., p. 34. 
[21] Nixon, op. cit. 
[22] Interim report of the Special Rapporteur on the question of torture and other cruel, inhuman or degrading treatment or punishment, op. cit. (Ver parágrafos 40, 41, 44, 47-50, 61-65). 
[23] Minkowitz, T. (2010). Abolishing mental health laws to comply with the Convention on the Rights of Persons with Disabilities. In: B. McSherry and P. Weller (Eds.), Rethinking Mental Health Laws. Oxford: Hart Publishing. 
[24] Statistics Canada. (2006). Women in Canada: A gender-based statistical report (5ª edição). Extraído, em 25/04/2009, de: http://www.statcan.gc.ca/pub/89-503-x/89-503-x2005001-eng.pdf 
[25] Waldrop, J., & Stern, S. (2003). Disability status: 2000. Census 2000 Brief. Extraído, em 25/04/2009, de: http://www.census.gov/prod/2003pubs/c2kbr-17.pdf. 
[26] Eide, A.H., & Kamaleri, Y. (2009, January). Living condition among people with disabilities in Mozambique: A national representative study. SINTEF Health Research. 
[27] Barriga, S.R., & Kwon, S.R. (2010). As if we weren't human: Discrimination and violence against women with disabilities in Northern Uganda. Human Rights Watch. Extraído, em 10/02/2011, de: http://www.hrw.org/node/92611 13 
[28] Saxton, M., Curry, M.A., Powers, L., Maley, S., Eckels, K., & Gross, J. (2001). Bring my scooter so I can leave you: A study of disabled women handling abuse by personal assistance providers. Violence Against Women, 7(4), 393-417. 
[29] Women with Disabilities Australia. (2004). Valuing South Australia's women: Towards a women's safety strategy for South Australia. Submetido ao South Australian Government's Discussion Paper. Canberra: WWDA. Extraído, em 13/02/2011, de: http://www.wwda.org.au/saviolsub.htm#three 
[30] Saxton, et. al., op. cit. 
[31] Young, et. al., op. cit. 
[32] Traustadottir, R. (1990). Women with disabilities: The double discrimination. Syracuse, NY: Center on Human Policy, conforme citado em: Waxman Fiduccia, B.F., & Wolfe, L.R. (1999). Violence against disabled women. Center for Women Policy Studies. Extraído, em 25/03/2011, de: http://www.centerwomenpolicy.org/pdfs/VAW5.pdf 
[33] Burstow, B. (2006). Electroshock as a form of violence against women. Violence Against Women, 12(4), 372-392. 
[34] Burstow, B. (2006). Understanding and ending ECT: A feminist perspective. Canadian Woman Studies, 25(1,2), 115-123. 
[35] Women with Disabilities Australia (2004), op. cit. 
[36] Ibid. 
[37] Interim report of the Special Rapporteur on the question of torture and other cruel, inhuman or degrading treatment or punishment, op. cit. 
[38] Ver, por exemplo: Andrews, A.B., & Veronen, L.J. (1993). Sexual assault and people with disabilities. Journal of Social Work and Human Sexuality, 8, 137-159, conforme citado em: Women With Disabilities Australia, 2004. 
[39] Meninas, mulheres idosas e mulheres indígenas com deficiência enfrentam barreiras e violência adidionais em consequência das formas de discriminação ainda mais complexas, que estão além do escopo deste relatório.

Tornei este relatório acessível por conta das informações importantes sobre a violência contra as mulheres com deficiência. Este documento oficial é em PDF o que dificulta o acesso as pessoas cegas.

Documento oficial:http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/violencia_mulheres_deficiencia.pdf

Todas São Todas e minha atuação como coordenadora.(Fundo Fale Sem Medo, Fundo Elas e Coletivo Feminino Plural)

Logomarca com identidade visual do projeto.


Pessoal o tempo passou e já faz dois anos que estive a frente do Projeto Todas São Todas e não tinha parado para escrever esta experiencia enquanto coordenadora deste projeto.

Hoje vou falar da minha experiência enquanto coordenadora do Projeto Todas São Todas que teve apoio do Fundo Fale Sem Medo, Fundo Social Elas e Coletivo Feminino Plural.
O projeto foi o primeiro realizado pelo Grupo Inclusivass no qual eu era coordenadora em 2016, para mim foi um desafio duplo por coordenar o projeto e o grupo. 
Sendo pioneiro no Brasil e no Rio Grande do Sul teve como objetivo incluir as mulheres com deficiência nas políticas de enfrentamento a violência contra as mulheres e demais politicas com duração de nove meses.
Trabalhando com o tema da violência contra as mulheres desde 2013 seria a primeira vez que estaria a frente de um projeto voltado a violência contra as mulheres com deficiência, durante estes anos fui aos poucos tendo entendimento sobre essa violência e que tanto a sociedade e estado invisibilizam, mulheres que adquirem a deficiência devido a violência sofrida, mulheres que carregam marcas destas violências para vida toda, aqui no nosso estado temos casos de mulheres que tiveram suas mãos decepadas e seu corpo queimado.
São vitimas de tentativa de feminicidio por questões de gênero, são mulheres que ficam abandonadas pelo estado apos adquirirem uma deficiência, são estas mulheres que não são lembradas em pesquisas e dados, são estas que não são incluídas nas politicas de enfrentamento e são estas que se quer conseguem acessar a rede de atendimento as mulheres vitimas de violência.
Coordenar este projeto foi desafiador por não ter conhecimento de como faria isso pois eu estaria a frente de tudo mas com o apoio do Coletivo Feminino Plural foi entendo como faria isso.
No mês de Abril aconteceu o II Dialogo Nacional de Violência Doméstica no Rio de Janeiro e fomos eu a e Telia apresentar o projeto Todas São Todas neste encontro pude falar da violência contra as mulheres com deficiência, falar do meu trabalho enquanto vitima de tentativa de feminicidio, entregar nosso material para o presidente do Instituto Anon e a coordenadora da ONU Mulheres e reafirmar a importância desde projeto para todas as mulheres com deficiência que ainda vivem silenciada pelo estado por não terem acesso e informações necessárias para sair do ciclo da violência.
O projeto se desenvolveu de março a dezembro com muitas ações de visibilidades entre elas, mapeamento da rede de violência sobre as questões de acessibilidade e que teve um inquérito civil instaurado pelo Ministério Publico e que hoje estamos fazendo o monitoramento e visitas nesta rede, curso de capacitação para as mulheres com deficiência sobre violência contra as mulheres e demais politicas, ações de visibilidades com entrega de materiais no dentro da capital, audiências publicas e finalizamos com a Exposição Todas São Todas que teve como objetivo mostrar para a sociedade a Beleza Roubada das mulheres com deficiência, com fotos da fotografa Daiane Peixoto as integrantes do grupo foram retratadas como se viam nesta sociedade ocupando os diversos espaços e mostrando essa beleza que nos é roubada pelo capacitismo, esteriótipos e tabus.
Este projeto me trouxe muito aprendizado e conhecimento enquanto profissional, pessoal e ativista mas sei que há muito por fazer ainda.
As mulheres com deficiência ainda são invisibilizadas e são elas que levam essas vozes através do trabalho que o Grupo Inclusivass realiza há quatro anos.
Eu enquanto vitima desta violência e ativista tenho um grande sonho realizar uma pesquisa que traga dados informativos sobre os casos de feminicidio tentados e que tornaram essas mulheres, mulheres com deficiência é preciso olhar para elas, onde estão como vivem, o que o estado faz por elas pois uma coisa posso dizer é preciso seguir mesmo com as marcas desta violência, marcas estas que causam tanto sofrimento.
O projeto Todas São Todas foi finalizado enquanto projeto mas com a certeza que este projeto é continuo e que estamos constantemente levando ele para os espaços que ocupamos.
Com o projeto conseguimos desenvolver a difusão e o advocacy do tema da violência contra as mulheres com deficiência no âmbito local , nacional e internacional.
São organizações como o Instituto Avon e Fundo Social Elas os agentes de transformações pelo fim da violência contra as mulheres e que oportunizam o fortalecimento desta luta para todas as mulheres, enquanto o Brasil ocupar o 5º lugar no ranking da violência contra as mulheres e termos um aumento de 6.1% nos casos de feminicidio precisaremos continuar com este trabalho de difusão.
Eu enquanto mulher com deficiência sigo meu ativismo por todas as mulheres, levando minha voz a todos os espaços. 


20 de ago de 2018

Adriana Abreu Dias - a mulher com deficiência que trouxe fatos preocupantes sobre nosso país.





No dia 3 de agosto de 2018 ocorreu em Brasília a primeira audiência pública para discutir a ADPF 442, que trata da descriminalização do aborto no Brasil.

Um dos discursos mais impactantes foi da Antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, ela é uma mulher com deficiência e foi representar o instituto Baresi.


Já no início ela agradece o convite e ainda faz um pedido aos demais "por favor, nunca falem por nós, nem sobre nós, sem a nossa presença".


Foram 19 minutos de fala e durante este tempo ela fez um belo discurso onde trouxo muitas informações preocupantes sobre meninas e mulheres com deficiência nos dias atuais. São fatos pouco falados, por isso hoje dedicamos esta postagem para destacar alguns trechos retirados da fala da Dra. Adriana.

                                                                     ~*~


"... A situação de maior vulnerabilidade das mulheres com deficiência no acesso a saúde sexual e reprodutivo torna ainda mais urgente a discriminação do aborto..."


                                                                    ~*~

"...Somos nós historicamente, a população de mulheres esterilizadas compulsoriamente..."


                                                                   ~*~

"...Barreiras atitudinais (mitos, tabus, preconceitos), arquitetônicas e comunicacionais fazem com que nós enfrentamos diversos obstáculos para acessar nossos direitos sexuais e reprodutivos..."


                                                                   ~*~

"...Não há educação integral sexual nas escolas do Brasil, então imagine como é para uma mulher cega, ou surda, para encontrar acessoa a informação sobre sexualidade ou direitos sexuais e reprodutivos..."


                                                                  ~*~


"...Na barreiras atitudinais podemos citar a dificuldade que temos para conversar com os médicos sobre nossa sexualidade. Para eles a nossa sexualidade ativa não é atraente, para eles nós somos estéreis, para eles sempre geraremos filhos com deficiência e não teremos condições de cuidar deles. Estes esteriótipos fazem com que se quer recebemos informações confiáveis sobre anticoncepção..." 



                                                                       ~*~


"...Não há, se quer, na maior parte do país,instalações e equipamentos acessíveis a mulheres com deficiência..."


                                                                       ~*~


"...As meninas com deficiência são as maiores vítimas de violência sexual na casa, na escola e na rua. Porém, estas mulheres e meninas sequer conseguem informar que foram abusadas e sequer conseguem ser entendidas..."



                                                                     ~*~


"...Meninas, e mulheres, com deficiênciasão as principais vítimas de abuso sexual. Mais de 70% das cegas, 60% das surdas e 90% das meninas com deficiência intelectuais. É injusto ameaçá-las de cadeia quando elas não querem seguir com a gestação..."


                                                                     ~*~


"...As meninas e mulheres com deficiência acabam vivendo o capacitismo de forma solitária, porque é comum que ela seja a única da família que tem deficiência, e sua experiência única fazendo com que muitas vezes ela não encontre acolhimento nem mesmo na família..."



                                                                         ~*~


"...Assim como qualquer outra pessoa, qualquer outra mulher, as mulheres com deficiência também devem ter o direito de decidir como desejam formar famílias..."



                                                                       ~*~


"...A única maneira legitima de reduzir o número de abortos em casos que deficiências são detectadas, é garantir a proteção integral aos direitos das pessoas com deficiência que vivem com deficiência. Serviços, saúde e escolas com equipes treinadas para inclusão, políticas de suporte mulheres e famílias cuidadoras, maiores incentivos a inclusão no mercado de trabalho e uma arquitetura social favorável a diversidade aos corpos e vivências são alguns exemplos. Apenas assim seria possível garantir que as mulheres grávidas não tomem decisões baseadas no medo efetivo de serem abandonadas pelo Estado, pela comunidade e pela família..."




Assista e compartilha a vídeo completo da fala de Adriana:




Via: Cantinho dos Cadeirantes

Meu agradecimento, Rotary Club.

Foto do seu João sorrindo com as mãos nas baterias em cima da mesa, e eu a frente olhando para a foto.

O post de hoje é muito mais muito especial para agradecer o Rotary Club.
Vamos lá?

A Penélope (cadeira motorizada) eu ganhei em 2015 para a minha alegria em poder andar onde eu quiser sem ter que sentir dor nas costas, para ter esta autonomia a cadeira conta com duas baterias 12 volts que são carregadas diariamente independente do uso ou não.
Essas baterias tem durabilidade de um ano mas como eu só uso para sair elas duraram mais tempo, quando completou dois anos de uso eu comecei a ter problemas na durabilidade da carga.
A cada saida uma parada para poder recarregar as baterias para poder voltar para casa e as coisas foram piorando e me preocupando pois dependo desta autonomia para fazer todas as coisas.
Como eu já havia iniciado a campanha para a compra da cadeira de banho eu acabei continuando para a compra das baterias pois o valor seria um pouco menor e esse dinheiro eu não teria.
Mais uma vez eu precisaria da ajuda das pessoas para conseguir as baterias e comecei a divulgar a campanha novamente e a falar do que estava acontecendo.
Como tudo na minha vida tem muita emoção com as baterias não foi diferente, era o dia das mães estávamos em casa fazendo um almoço pois este ano não passei com minha mãe e preferi passar o dia com o filho e o Hélio.
Meu telefone toca era a Clarinha ela me diz: Carol tenho uma novidade lembra que tinha te falado da minha amiga Livia e que ela conhecia o pessoal do Rotary, pois ela fez contato com eles e contou tua história e na hora eles falaram que iam comprar as baterias para te dar.
Já temos as baterias, minha emoção foi tanta que falei que presente no dia das mães e como tudo na minha vida tem esses momentos.
Agradeci ela muitas vezes pois esta sempre me ajudando e desta vez não foi diferente, passaram algumas semanas até marcarmos o encontro com o presidente do Rotary.
O encontro foi no Coletivo por ser acessível para mim, neste dia ia conhecer as duas pessoas responsáveis por esta realização a Lívia e o seu João.
A Lívia chegou primeiro pude agradece-la e abraça-la e falar uma pouco mais e logo em seguida chegou o seu João com as baterias, gente minha emoção com uma vontade de gritar era enorme.
Seu João apresentou o projeto do Rotary sobre a campanha das tampinhas e que com esta campanha eles compram cadeiras de rodas e entre outras ações e que uma delas foi a compra das baterias.
Gente as mesmas tampinhas que eu tinha iniciado a campanha para a compra da cadeira de banho e que agora estavam me beneficiando.
Um projeto legal que ajuda muitas pessoas e que nem fazemos ideia por isso juntem tampinhas e doem para estas instituições pois elas ajudam outras pessoas.
O material que eu juntei durante a campanha estarei doando para este projeto e só tenho a agradecer as pessoas envolvidas nesta realização, Clarinha, Telia, Cristiano (taxista que me ajudou a instalar as baterias novas quando voltei pra casa)  Lívia e João meu muito obrigada.
Hoje a Penélope esta a mil ando por tudo e volto com carga para casa, ter autonomia é fundamental e estou me sentindo livre.
Agradeço muito ao projeto ROTARY por ajudar muitas pessoas que necessitam de ajuda.



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