26 de dez de 2016

Um ano juntas.

Imagem da Penélope ainda sem ser usada com as caixas da bateria fechadas.


Sim faz um ano que eu e a Penélope andamos juntas por ai a fora, mas quem é essa tal de Penélope bom vou apresenta-la começando pelo inicio de tudo.
Durante quinze anos de minha vida eu andei na cadeira manual, ao longo desses anos me limitei muito de fazer muitas coisas e entre elas sair com meu filhote pois conforme ele foi crescendo e ficando pesado era muito difícil eu empurrar a cadeira com ele no colo, mas mesmo assim muito nos aventuramos por ai.

Meu primeiro passo para ficar na cadeira foi criar coragem para aceitar esta nova realidade e tenho certeza que é assim na vida de quem fica com algum tipo de limitação, e comigo não foi diferente
Lembro que minha primeira cadeira era daquelas do tempo do EPA, pesada e sem ter onde colocar os pés, tinha apenas um cordão para coloca-los e claro pra mim isso foi bem mais difícil de aceitar, a primeira vez que sentei nela pedi pra minha mãe que queria fazer um arroz com linguiça que eu adoro.

Meus primeiros minutos foram tranquilo mas logo comecei a passar mal pois o corpo estava querendo aceitar a nova realidade e passava muito mal mesmo, depois fui aceitando o que ajudava também meu corpo com a nova realidade, saia com minha mãe que me carregando não percebia meu pé cair e eu ficava com os pés em ferida por não sentir nada naquele tempo e assim indo minha adaptação com a cadeira de rodas.

A segunda cadeira um pouco melhor mas nunca saia sozinha sempre com alguém me empurrando pois pra mim era tão difícil empurrar esse corpo e a cadeira, quando ganhei a terceira cadeira um puco mais leve mais ainda sim achava ela pesada mas via nessa dificuldade de me empurrar passar os anos e assim foi, pressa em casa, dependendo da boa vontade do outros e muitas vezes ouvindo não estou afim, aquelo foi me cansando, aquela mulher totalmente independente que teve que aprender a cuidar dos seus irmãos ainda criança estava ali pressa sobre rodas.

Nunca esqueço meu dindo Nelson dizer pra mim toda vez que me via, você precisa sair de casa e seguir sua vida os anos passam e não é que eles passaram e já fazia 6 anos da minha vida e eu ali travada no tempo, sim eu queria fazer as coisas, sair, estudar mas me prendia a falta de coragem.

A vontade de voltar a andar foi fundamental para eu sair desse travamento pessoal e eu fui com os medos possíveis sair sozinha, meu destino ir na escola mais próxima e ver se tinha como estudar lá, peguei um ônibus adaptado poucos naquela época, estamos falando de 2006 exatamente, desci longe da escola o que me assustou e muito pois teria que andar um bom pedaço a pé, e fui me emperrando era como se eu tivesse uma tonelada e a cada pedalada uma parada, quase cai sozinha na rua, e entre as lágrimas que caiam no meu rosto eu dizia:Eu vou conseguir,Deus me ajuda.

Me aventurei a estudar mesmo com todas as dificuldades lá estava eu na escola cheia de orgulho mas tendo que passar por muitas outras aprovações para seguir no meu objetivo, mas consegui pois sou uma pessoa de muita sorte e encontro pessoas boas no meu caminho, opsss quase todas, mas voltando a história, logo em seguida ganhei a cadeira dos sonhos, leve mas claro ainda precisava me empurrar e assim segui minha vida por longos anos, tentei com a fisiatra um laudo para cadeira motorizada e pra minha surpresa ela dize que não me daria pois ficaria obesa se eu parasse de fazer exercícios e tive que seguir

E não é que os anos passaram tão rápido que terminei os estudos, iniciei um tecno de informatica, fiz vários cursos e entre eles de massoterapia e reike, depois de 9 anos de ter dado o primeiro passo eu já não era mais aquela cheia de vontade, já tendo que viver a realidade da dor, eu comecei a ter muitas dores por todo o corpo, cansava fácil, não ia nos lugares quando não tinha companhia e assim fui parando aos poucos mesmo as vezes querendo e sendo forte pois a vida foi me levando para um novo caminho e queria continuar nessa nova história de vida, namorado me ajudava, amigos e as vezes familiares mas estava difícil seguir, saia e quando voltava tinha que dar conta da casa, do filho e de mim, e foi se tornando difícil cada vez mais.

Depois de anos até ouvir o não da médica retornei a uma da consultas e relatei que já estava desenvolvendo dor nas mãos e já não conseguia mais fazer tudo e que agora mais do que nunca eu precisa de uma cadeira motorizada pois agora eu era mãe e estávamos assando mutas dificuldades com isso.

Lembro que antes da médica me dar o laudo antes de mais nada ela me olhou e disse, tu já notou que tu sempre que vem aqui esta sempre mal, fiquei quieta pois se eu falasse algo poderia não me dar o laudo, sai da consulta com o laudo na mão e com a decisão de não querer voltar mais lá, não preciso deste tipo de pessoas na minha vida.

Iniciei mais uma etapa passar pelo serviço social e lá fui eu a a miga Daia com a ajuda do Deputado Marconi, estava cheia de esperança e a assistente social Mirna já minha conhecida de anos disse que me encaminharia para fazer a avaliação no CEREPAl porque na AACD estavam negando os pdidos de cadeira.

Mais uma etapa e lá estava eu a e Daia n avaliação a médica me olhou e disse você não tem direito de ganhar uma cadeira motorizada pois a tua lesão não te contempla vai depender da equipe médica, mas minha fé era mais que os não e saimos de lá cheias de esperanças.

Os meses passaram eu comecei a ligar e sem noticias seguia quando vi que as coisas não andavam comecei a buscar pessoas que poderiam me dizer se eu tinha sido contemplada e fui e fui até que realmente falei com a pessoa certa que me disse tudo que eu queria ouvir:
Sim você vai ganhar a cadeira só estamos com a entrega atrasada pois você deveria ter ganhado dois meses atras, tu pode esperar mais um mês, as lágrimas caiam no meu rosto, um sentimento lindo me invadia naquela hora e disse para aquele rapaz é verdade, olha se realmente é meu nome.

Desliguei liguei primeiro pra minha mãe e depois pra Daia e segui aviando as outras pessoas que ao lado durante todo esse tempo torceram por essa conquista.

Era final de novembro quando m ligaram pra ir buscar minha cadeira, a felicidade era tanta, liguei para a Daia e ela disse que buscaria a cadeira pois queria muito fazer isso por mim e buscou e levou pra casa dela, depois de alguns dias fui com minha irmã buscar, no carro vi ela chegar com a Penélope nome dado por ela, esperei tanto por esse momento que nem me cabia de tanta emoção, abracei minha amiga e agradeci ela por tudo neste etapa da minha vida.

Em casa meu cunhado montou ela e fui testar ela, mas ela pra mim parecia ser estranha como foicom todas as cadeiras que tive.

Logo que toquei no Joystick a cadeira me atirou pra cima de tudo, o medo começou a bater e quis sair logo da cadeira era como se aquela vontade de querer ser livre tivesse dado espaço para o medo, os dias passaram eu tinha medo dela,

Toda vez que sentava nela eu batia nas coisas, quase arranquei a porta e assim os dias foram seguindo, minha amiga e vizinha vinha aqui e dizia vamos sair com a Penélope, e eu não queria ficar na cadeira mas ela insistia e íamos nos aventurar na rua e assim os dias foram passando fui aprendendo a controlar a Penélope e não ela me dominar, comecei a sair pra rua sozinha.

Aos poucos o medo foi passando mas levei meses até me adaptar com ela, era um novo aprendizado pois fiquei 15 anos da minha vida me empurrando e agora era só tocar no Joystick que eu ia onde quiser, me sentia livre pra voar e assim seguimos nós duas livres por ai e onde quisermos.
Meu garoto agora eu podia coloca-lo n meu colo e sairmos por ai, nada mais nos impedia de irmos onde quisermos.

Um ano e passou eu continuo usando a cadeira manual em casa pois a Penelope é meia doida e pode quebrar toda a casa e prefiro me empurrar em casa pra não perder o ritmo.

Para as pessoas que diziam ser uma vaidade minha ter uma cadeira motorizada, digo hoje já não tenho aquelas dores horríveis no corpo como antes.

Seguiremos eu e a Penélope nesta vida e por onde quisermos ir e estar.

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