25 de nov de 2012

Campanha pede o fim da violência contra a mulher

Mulheres deitadas no chão e eu de lado na cadeira cena do movimento.
Na Capital, grupo lançou campanha no Parque da Redenção 
Crédito: Paulo Nunes

SUS atende 2,5 vezes mais mulheres vítimas de agressões do que homens


Ativistas e representantes de órgãos públicos gaúchos realizaram manifestação pelo fim da violência contra a mulher neste domingo, em Porto Alegre. De janeiro até julho, 37 mulheres foram assassinadas no Rio Grande do Sul por companheiros ou ex companheiros. Durante todo o ano passado morreram 48. Com pouca variação entre os meses dos últimos dois anos, em maio foram registradas 3.550 ameaças, 1.885 casos de lesão corporal e 88 estupros.

Organizadas pelo coletivo Feminino Plural, ativistas realizaram uma performance em frente ao Monumento do Expedicionário no Parque da Redenção, pedindo um basta à violência doméstica. “Embora o número de mortes esteja aumentando, a questão ainda é tratada como algo secundário socialmente. Ações assim servem para contrariar a ideia de violência contra mulher é comum. Que é normal ela não ter direito a aborto seguro, não ganhar o mesmo salário que os homens ou ver sua imagem corporal banalizada pelo marketing e entretenimento” afirma Telia Negrão.

Presente também na ação, a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Nádia Gerhard, aponta o aumento do número de casos registrados na delegacia com o pedido de medida protetiva, quando se completa um mês da patrulha. Antes dela, 35% dos casos registrados continham o pedido da medida, percentual que passou para 51%. Pelo projeto, 16 policiais, metade home, metade mulheres, fazem rondas e abordagens com a meta de garantir que não morram mulheres que tenham a medida. 

Em 30 dias as ações da patrulha resultaram na prisão de dois agressores, quanto dois pedidos de outras prisões aguarda resposta judicial. Entre os 161 pedidos de medida protetiva, 31 foram elencados como graves essencialmente porque a vítima segue ameaçada. Tais casos são destacados entre os 18 mil inquéritos de violência contra mulher que seguem na justiça do Estado. Segundo o secretário de segurança pública Airton Michels, a violência contra mulher cria um ambiente propícios para outros tipos de violência. 

Campanha

A Prefeitura de Porto Alegre lançou neste domingo a campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O evento internacional, desenvolvido pelo Center for Women's Global Leadership (Centro para Liderança Global das Mulheres), existe desde 1991.

Conforme a coordenadora municipal da Mulher, Ângela Cristina Kravczyk, as várias atividades têm a missão de encorajar as mulheres, orientando para que exijam os seus direitos. “É preciso incentivarmos e implementarmos, cada vez mais, campanhas que conscientizem as mulheres de seus direitos, encorajando-as para que rompam o silêncio e o ciclo de violência em que vivem”.

Segundo uma das integrantes da secretaria de Política para as Mulheres do Estado, o primeiro passo é buscar informações ou pedir ajuda pelo Disque Lilás (            0800 541 0803 begin_of_the_skype_highlighting            0800 541 0803      end_of_the_skype_highlighting      ), 180 ou 190, esse em caso de flagrante. Pelo 0800 assistentes sociais ou psicólogas ouvem a vítima ou parente, orientam, retornaram ligações e acompanham os casos.

Brasil gasta R$ 5,3 milhões apenas com internações

A violência contra mulheres no Brasil causou aos cofres públicos, em 2011, um gasto de R$ 5,3 milhões somente com internações. Foram 5.496 mulheres internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado em decorrência de agressões.

Além das vítimas internadas, 37,8 mil mulheres – entre 20 e 59 anos – precisaram de atendimento no SUS por terem sido vítimas de algum tipo de violência. O número é quase 2,5 vezes maior do que o de homens na mesma faixa etária que foram atendidos por esse motivo, conforme dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

A socióloga Wânia Pasinato, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), destaca que além dos custos financeiros, há “enormes prejuízos sociais” gerados pela violência contra a mulher. Ela citou estudos que indicam, por exemplo, que homens que presenciaram cenas de violência doméstica durante a infância tendem a reproduzir, com mais frequência, características de dominação e agressividade em suas relações afetuosas.

“Os danos para a sociedade são enormes, com perdas em diversas esferas. Além de impactar a forma como os filhos dessas relações vão constituir suas próprias relações no futuro, as mulheres vítimas de violência deixam de produzir e de se desenvolver como poderiam no mercado de trabalho”, explicou, acrescentando que também é comum que as vítimas incorporem a violência e a agressividade em seus relacionamentos e nas formas de comunicação.

A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, organização não governamental que atua em projetos de defesa dos direitos da mulher, Jacira Vieira de Melo, destacou que os números confirmam que, apesar de a Lei Maria da Penha, criada há seis anos, ser uma referência nacional e conhecida pela maioria da população, a violência contra a mulher ainda é um grave problema social. Ela defende que para enfrentar a questão é preciso fortalecimento das políticas públicas e incremento orçamentário.

“Pesquisas de opinião indicam que mais de 95% da população já ouviram falar na lei, que prevê punições severas para os agressores. Ela tem contribuído para que a violência contra a mulher cada vez mais seja vista como violação de direito fundamental, como crime, mas as estatísticas mostram que a questão continua sendo um grave problema social”, disse, lembrando que a violência é a maior causa de assassinatos de mulheres no Brasil.

Dados do Mapa da Violência 2012, estudo feito pelo sociólogo Julio Jacobo, atualizado em agosto deste ano, revelam que,de 1980 a 2010, foram assassinadas no país quase 91 mil mulheres, das quais 43,5 mil somente na última década. De 1996 a 2010 as taxas ficaram estabilizadas em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres.
Fonte:Correio do Povo.

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