7 de set de 2012

Companhia propõe mudança na forma de encarar dança e deficiência

Cadeirantes dançando.

 
Grupo Candoco, sediado em Londres mas dirigido por um brasileiro, fará apresentação na cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos.
   O tema deficiência sempre vem à tona quando o brasileiro Pedro Machado fala sobre a Candoco, companhia de dança contemporânea que ele dirige em Londres.
   Afinal, a Candoco se destaca por apresentar coreografias que misturam dançarinos com e sem deficiência.
   "É engraçado, porque sempre me vejo falando desse tema em entrevistas. Mas internamente não é algo de que a gente fale na companhia. Não vejo meus dançarinos como pessoas com deficiência. Pelo contrário, na dança, eles são muito eficientes", diz.
   A frase resume a proposta da "Can Do Company" (Candoco) –, uma companhia de dança criada há 20 anos, segundo Machado, com a ideia de "produzir uma mudança cultural" na forma como os espectadores e artistas encaram a arte e a deficiência.
   "A dança está hoje mais democrática, vemos mais tipos de corpos dançando. Acho que a maioria das pessoas gosta de ver corpos diferentes no palco. Com isso, conseguimos um trabalho mais criativo, com uma estética considerada nova", explica Machado à BBC Brasil.
    "Somos uma companhia profissional criada para produzir trabalho artístico com excelência, mas também encampar os direitos das pessoas com deficiência", afirma.
Jogos Paralímpicos
   Entre os corpos diferentes citados pelo brasileiro, está o da cadeirante Kimberly Harvey, que dança desde 2001. Ela participará, com outros 12 dançarinos, de uma coreografia da Candoco apresentada na cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpícos de Londres, no dia 9.
   "Para mim, a dança é a chance de ser eu mesma. É algo que me faz sorrir", diz. Ela começou na companhia juvenil da Candoco e hoje é professora de dança e dançarina freelancer.
   Além de colaborar com a cerimônia paralímpica, a Candoco está apresentando, até esta quinta-feira (6), no complexo cultural de Southbank, em Londres, o projeto Unlimited, em homenagem aos Jogos Olímpicos, reunindo dançarinos da China e do Brasil (nações-sede das Olimpíadas anteriores e das próximas).
   Em seus 20 anos, explica Machado, a companhia já apresentou mais de 40 coreografias, em 40 países (no Brasil, foram três performances), com dançarinos com deficiência ou não.
Em um dos ensaios da companhia, a BBC Brasil conversou com Dan Daw, australiano que integra a Candoco há dois anos e meio. Daw tem paralisia cerebral, mas é desenvolto e articulado.
   "Danço há sete anos, isso é a minha vida, evoca algo especial em mim", diz ele, que acompanhava o trabalho da Candoco muito antes de entrar na companhia. "Quando era adolescente, na Austrália, eles eram um modelo tangível, a ideia de que o meu sonho de virar dançarino profissional era possível."
   A integração com os atletas que não têm deficiência se dá de forma natural, diz outro dançarino da Candoco, Chris Owen. "Não precisamos discutir as deficiências, só o que criamos juntos. Não tinha nenhuma expectativa (quanto a trabalhar junto a dançarinos deficientes), apenas interesse em fazer novas formas de dança, com pessoas de corpos diferentes."
Treino
   Diferentes tipos de deficiência já fizeram parte do elenco da Candoco. A escolha dos dançarinos se dá pela exigência natural da profissão, segundo Machado: são cinco ou seis dias de ensaio por semana, oito horas por dia, e turnês internacionais cansativas.
"A questão é que a dança profissional depende de treino", diz o brasileiro.
   "Geralmente quem faz faculdade de dança pratica desde os cinco, seis anos de idade. É difícil imaginar isso com crianças que têm algum tipo de deficiência. Mas é o que a gente quer. Que não achem que porque a criança tem deficiência, que a dança não pode incluí-la", completa.
Fonte: G1 
Foto: BBC

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