26 de abr de 2018

Desabafo! Feminicidio e Mulheres com Deficiência.

Imagem retangular, com fundo azul. A palavra CADÊ se repete ao longo da imagem em várias cores. Quatro pontos de interrogação grandes, estão um a baixo do lado na cor branca do lado direito da imagem.

Sinto uma inquietude me dominar, pego meu celular e escrevo em minha rede social:

"Que as mulheres que foram vítimas de Violência e hoje são Mulheres com Deficiência por conta dessa violência possam ser lembradas sempre na história e luta das mulheres pois elas carregam as marcas dessa violência.
Eu carrego as minhas e posso dizer: Não está sendo nada fácil carrega-las.
Sinto este silêncio no movimento."
#NosExistimosNosresistimos
Mulheres queimadas, mutiladas, violentadas e torturadas.
Justiça por tantas Carolinas,Bárbaras, Vitórias e Giseles onde andam estas mulheres vocês sabem?
Ou não é da conta de vocês?


Mas porque eu escrevi isso? Escrevi isso pois sinto este silencio dominar o movimento de mulheres em muitas falas deixamos de lado aquelas mulheres que sofreram tentativa de Feminicidio e por conta disse se tornaram  mulheres com deficiência.

Esta violência causa dor, marcas e mutilação ao corpo por questões de gênero e falhamos ao deixar de lado estas mulheres.
Há 18 anos fui vitima de Feminicidio( mais conhecido como crime passional e que vem mudando sua terminologia depois da lei de FEMINICIDIO ser criada ) e por conta desta tentativa me tornei uma mulher com deficiência, além de sofrer com dor crônica diariamente. Não bastasse viver uma realidade de estar em uma cadeira de rodas em uma sociedade desigual e preconceituosa, tenho que carregar no meu corpo todo este sofrimento .
As mulheres com deficiência  e seu movimento estão aos poucos construindo suas historias de luta, uma luta para sair da invisibilidade, uma luta para estar nos espaços e ter voz, uma luta por representatividade, mas seria tão importante se fossemos lembradas nos diversos movimentos sem precisar estarmos.
Sendo ativista penso que não preciso estar em todos os lugares para ter voz e ser lembrada é preciso, abracar essa diversidade de mulheres e inclui-las em suas falas.
É preciso sair deste lugar privilegiado, pois quantas mulheres com deficiência se quer tem como sair de casa pois as questões de acessibilidade embarcam no silencio desta luta.
Que o feminismo possa ser também das mulheres com deficiência pois lutamos para sair da invisibilidade por questões de gênero, raca e deficiência.
Que possamos com nossa luta garantir os direitos humanos das mulheres com deficiência, garantir políticas publicas, direitos sexuais e reprodutivos e sem próprio empoderamento.

Enquanto esta realidade não chega, continuarei a falar por mim e por todas nós

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