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12 de mai de 2015

“É muito difícil militar e fazer mamadeira”

Em um fundo na cor azul do lado esquerdo vemos um circulo em tom azul escuro e no centro a ilustração de uma mulher segurando o braço de uma criança.

Esta ai um assunto pouco pensado nos grupos de militância, eu mesma já perdi de ir em muitos por falta de ter como levar meu filho ou até mesmo ter alguém pra ficar com ele, nessa vida agitada uma mãe tem que se virar em dobro pra dar conta de tudo e não deixar seus objetivos de lado. Fale apena repensarmos nestas questões.
Enfrentando o machismo, as mães lidam com a omissão dos partidos e grupos de militância, que não têm preparo para acolher as mulheres que precisam levar seus filhos para eventos, reuniões e debates
Por Jarid Arraes
Dizem que Maio é o mês das mães. No entanto, entre as mais diversas formas de machismo e exploração, nem mesmo o segundo domingo do mês é exceção: as mães enfrentam uma sociedade hostil que não abre espaço para as mulheres que têm filhos.
Nossa cultura ainda empurra para as mulheres a maior parte das obrigações relacionadas à reprodução e ao cuidado das crianças. A impressão que dá é que os filhos são punições contra as mulheres, meras consequências do ato sexual, e que por isso as mulheres devem arcar com o fato sem reclamações. A sociedade considera natural dizer que a vida da mulher nunca mais será a mesma depois de ter filhos, como se com isso afirmasse que será tudo pior, exaustivo, que a mãe nunca mais terá tempo para si e para seus objetivos pessoais. E em muitos casos isso realmente acontece, enquanto os pais seguem suas vidas e muitas vezes nem sequer arcam com as responsabilidades financeiras necessárias ao cuidado com seus filhos.
Bia Oliveira e seu filho Ben (Imagem: Arquivo Pessoal)
Bia Oliveira e seu filho Ben (Imagem: Arquivo Pessoal)


Além de precisarem ralar para dar conta do trabalho e das tarefas domésticas, as mulheres ainda precisam enfrentar o preconceito. O machismo, forte e recorrente, é o dedo julgador que aponta para as mães e diz que nunca são boas o suficiente. Mães solteiras são vítimas especiais da misoginia e poucas pessoas sentem alguma empatia ao vê-las se virando em mil para garantir o sustento das crianças. Empresas, escolas, universidades e até mesmo grupos feministas não estão preparados para acolher e dar lugar às mães – e, pelo andar das coisas, também não estão preocupados em mudar esse quadro.

A professora e pedagoga Bia Oliveira conhece essa realidade profundamente. Mãe de um garotinho de 2 anos, ela, que se identifica como feminista, escreveu recentemente um texto que teve grande alcance, sobre a experiência de ser mãe solteira e não ser acolhida em nenhum lugar. Em seu texto publicado na página “Pode me chamar de feminista”, Oliveira expõe sua rotina de trabalho duro, enfrentando assédio sexual no transporte público e lutando para garantir atendimento médico para seu filho.

“Eu não pretendia escrever um texto tão dolorido quanto aquele”, explica Oliveira. “Fui a quatro AMAs e nenhuma tinha pediatra. Consegui chegar a um hospital lotado. Precisávamos fazer uma triagem antes de abrir ficha na recepção e passar pelo atendimento médico. Foi um momento bem difícil ficar na fila com o Ben amarrado no sling, com 39 graus de febre, e ouvir a enfermeira encorajando todas aquelas mães a procurarem outro hospital, pois ali a espera seria de mais de 3 horas. Como procurar outro hospital, se já tínhamos rodado o bairro todo? Foi preciso brigar, insistir e exigir atendimento. Depois que eu fiz a ficha, sentei e comecei a reparar o ambiente. Só havia mulheres com seus filhos doentes. Às vezes, mais de um filho. Me dei conta de como tudo isso é difícil e de como a gente precisa travar uma guerra pra conseguir garantir um direito básico. Então, eu chorei na fila do hospital e depois peguei meu celular e escrevi”, relata.

Mas se engana quem pensa que o ambiente hostil às mães é exclusividade de hospitais despreparados. Coletivos e ambientes voltados para o debate e a reivindicação dos direitos das mulheres também entram na lista de lugares que não se atentam para o bem estar das mães e de seus filhos. Mas como seria possível falar de direitos da mulher sem dedicar atenção para a realidade das mães, justo elas, que enfrentam tanto machismo, são impedidas de amamentar em público e carregam a maior parte das cobranças sociais relacionadas à maternidade? Na teoria, é muito fácil dizer que as mães importam e que precisam ser ouvidas, mas na prática o discurso muda.

“Não é que esses espaços não escutem as reclamações das mães solteiras, mas que essas pautas são sempre acolhidas na informalidade”, afirma Oliveira. Muitas reuniões de coletivos, eventos e debates não contam com nenhuma estrutura para que as mães possam participar das discussões e programações, porque pouco se leva em consideração a existência de mães solteiras que não contam com ninguém mais para cuidar de suas crianças enquanto elas militam.

“Precisamos ouvir essas mulheres, entender suas necessidades, dar espaço e oportunidade para que elas se fortaleçam. Não adianta nada organizar um evento e criar um ‘espaço das crianças’ se não pensarmos, também, quem vai cuidar dessas crianças. Porque para uma mãe ir para um evento e ficar isolada no espaço das crianças olhando seu filho, sem poder assistir a uma palestra, é mais fácil ficar em casa. Pelo menos, o ambiente é conhecido”, argumenta a pedagoga.

Mas ainda não acabou. As dificuldades enfrentadas pelas mães nos espaços de militância política, sejam eles de direita ou esquerda, feministas ou não, é muito ampla. “Eu tentei levá-lo a alguns desses lugares, da mesma forma que já o levei à faculdade e ao meu trabalho, e as suas manifestações espontâneas não foram muito bem recebidas”, relata Oliveira. Ou seja: os espaços não contam com nenhuma estrutura para acolher as crianças enquanto suas mães participam das atividades, ao mesmo tempo em que age de forma hostil e intimidadora diante do comportamento das crianças que são levadas até esses locais. “Frequentemente, ouvimos comentários de feministas que odeiam crianças. Bom, se as mulheres que vão me acolher odeiam aquilo que meu filho é, uma criança, como eu devo me sentir?”, questiona Oliveira.

Muitos dirão que a criança atrapalha, chama atenção e interrompe, que não deveria ser levada. E é aí que o machismo se manifesta: que escolha tem a mãe que cuida sozinha de seu filho e não conta com o apoio de mais ninguém? Assim, fica evidente que as mães solteiras são excluídas dos espaços políticos. Fica evidente que a maternidade ainda é vista pelas pessoas como incompatível com a militância e a vida pública, pois todo o esquema é construído para não incluir mães, para reduzi-las aos espaços privados e domésticos.

Bia Oliveira ainda chama atenção para outra face do problema: as diferentes realidades de classe entre as mulheres. Aquelas que podem, ainda pagam para que babás cuidem de seus filhos, podem contratar uma empregada doméstica ou ainda arcar com os custos de uma creche particular. Em casos assim, o debate se torna mais amplo, mas entram em jogo questões como a exploração do trabalho de outras mulheres. Além disso, Oliveira ressalta que até mesmo mulheres como as avós das crianças entram na equação. “Eu fiquei um ano inteiro esperando uma vaga na creche pro Ben. Então, era a minha mãe quem ficava com ele enquanto eu trabalhava e estudava. Meu filho ficava sob os cuidados da minha mãe por cerca de 12 horas diariamente. Esse tempo que minha mãe gastou me ajudando, cuidando do meu filho, ela poderia ter investido nela. Poderia ter feito um curso, saído mais, ou não ter feito nada também. Porque ela já criou cinco filhos. E merece descansar. Sem a minha mãe, eu não teria conseguido. Se eu ousar sair e me divertir, porque antes de ser mãe eu sou mulher e tenho essas necessidades também, eu vou precisar explorar outras mulheres para cuidar do meu filho. E isso não está sendo debatido nos espaços de militância”, protesta.

Por todos esses fatores, o machismo precisa ser confrontado. Mas é impossível conquistar a libertação de todas as mulheres se as necessidades das mulheres que são mães continuam sendo empurradas para níveis de baixa prioridade. “Algumas de nós já somos tachadas como vadias apenas por sermos mães solteiras”, exclama Oliveira. Para além das pautas que reivindicam liberdade de escolha e autonomia individual, as demandas políticas das mães abrangem questões raciais, financeiras, de saúde pública e educação.

Se o mês das mães servir para despertar um pouco de reflexão nos partidos políticos, coletivos e grupos militantes, já poderemos dizer que avançamos muito. Como as coisas estão, o machismo continua vencendo. “Precisamos nos preocupar com o que nossos filhos vão comer, se vão ter fralda para usar, onde eles vão ficar no dia em que não tiver aula na creche. São outras pautas”, acrescenta Oliveira. “E é muito difícil militar e fazer mamadeira, ou protestar nas ruas colocando o filho para dormir”, conclui.

Fonte:http://www.revistaforum.com.br/

Foto de capa: Reprodução / Facebook

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